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Terça-feira, 21 de Maio de 2013

Sandra Carvalho veio falar das Pedras Mágicas

Este hoje na Biblioteca da minha escola a escritora Sandra Carvalho, para falar aos alunos sobre a Saga das Pedras Mágicas. Trouxe muita simpatia, conversou com os alunos (estão a vê-los, bem novinhos, sentados no chão?) sobre vikings, magia e romance. Espero que os tenha aliciado para a leitura, que lhes faz tanta falta. Uns disseram-me que já a tinham lido, porque a Biblioteca da Escola tem os livros da saga e os foram lá buscar. Bom sinal! São de louvar estas iniciativas, ainda que nem sempre os meninos estejam à altura e tagarelem quando não devem!

E, para eu aprender, é assim que se promove um livro!  *wink*

Blogue da autora:
http://sandracarvalho-autora.blogspot.pt/

Na Presença:
http://www.presenca.pt/autor/sandra-carvalho/
 
 
A mim aliciou-me a experimentar o primeiro volume desta saga, A Última Feiticeira, que já há muito tinha pensado em ler. Trouxe-o para casa, com um autografo muito simpático, que hei de partilhar quando der a minha opinião sobre o livro. Vai  para a pilha, à espera de dias mais tranquilos para ser lido, e entretanto pode ser que algum dos meus jovens cá de casa (apostava no mais novo) queira ler...
 
 

Domingo, 19 de Maio de 2013

A satisfação do trabalho feito

e espero que bem feito.
 
Acabei esta manhã a revisão de A Chama ao Vento, o romance que escrevi logo a seguir a Alma Rebelde, e que ficou pronto muito antes da publicação deste, tanto que depois disso já acabei O Cavalheiro Inglês. Não, não escrevo a metro - é que passou já muito tempo desde que acabei o Alma Rebelde.
 
É um filho mais difícil, que não me satisfez à primeira. Não é tão meigo e doce como o anterior, fez-me sofrer um pouco, e ainda me obriga a mais uma pequena releitura da primeira parte. Mas concluí o mais doloroso: a GRANDE REVISÃO. Parabéns para mim!! Estou feliz.
 
 
 
Resta-me aguardar, para saber o que sucederá a este livro.
 
Entretanto, porque não sei estar quieta e ainda não estou pronta para nenhuma nova aventura, seguem-se outras revisões. Talvez releia O Cavalheiro Inglês, que também aguarda decisão, ou um dos meus pobres "engavetados".
 
Fica um excerto pequenino e random - é nessa página que o tenho aberto.
 
A ladeira, um caminho interminável para as minhas pernas curtas e cansadas, levara uma eternidade a percorrer nessa manhã. Ou talvez tivessem sido os mesmos dez minutos de que precisara hoje. O tempo era, na altura como agora, imutável e indeciso, longo e curto, suave e penoso, independente da minha vontade, trazendo coisas e levando coisas. Na altura, não lhe conhecia as manhas.
Dirigi-me à porta meio desfeita e empurrei‑a devagar, receoso de que me ficasse nas mãos. Rangeu ominosamente, mas aguentou-se nas dobradiças como uma velha resistente. Avancei meia dúzia de passos, os chinelos a marcar pegadas de pó. Olhei para elas, lembrando-me dos meus outros pés, muito mais pequenos, sobre a tijoleira vermelha varrida e lavada. Na manhã fria da nossa chegada ali, eu correra pelos quartos, um depois do outro, com poucos móveis a atravancar o espaço, um paraíso infantil de brincadeiras. Deixei os olhos correr as paredes nuas e manchadas, guardando ainda a memória do branco imaculado. Tudo era branco na minha memória, branco de alto a baixo, trazido à vida pela luz, que jorrava pelas janelas a toda a hora, se expandia pelo chão, trepava paredes e ricocheteava nos cantos.
Luz das fadas, Chiquinho.
(A Chama ao Vento, Pág.12)
 

Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

Eu não gosto da Alice

mas tenho por ela um fascínio absoluto, tanto por Alice in Wonderland como por Alice Through the Looking Glass, o seguimento menos conhecido da história.  
 
 
Vem este post a propósito de outro do Clube de Leitores, publicado ontem ou hoje, onde se mostra uma página do manuscrito de Carroll, com desenhos seus. Bonito, sem dúvida, como têm sido tantas e tantas obras de todos os tipos inspiradas pela loucura que é esta história. Não é a loucura que me repele, talvez seja o medo de crescer que revela. A ideia de ficar para sempre preso na infância assusta-me. Talvez não tenha sido uma criança suficientemente feliz, porque os meus filhos têm ambos um complexo Peter Pan, vão crescendo sempre com a vontade de não crescer. O meu interesse pela história é intelectual e não emocional ou prazeiroso, porque, na verdade, a única parte que me diverte é o poema Jabberwocky. Reside na sua ligação com o fantástico.
 
A natureza fantástica do sonho (porque Alice é um sonho, ou como um sonho, se quisermos), esse meio caminho entre o onirismo puro e uma viagem pelo subconsciente que nos permite  imaginar que elementos dominavam a vida do autor, chás e drogas e um encanto pouco natural por meninas pequenas, foi precursora do surrealismo, e o surrealismo é um dos movimentos mais fascinantes do século XX, em termos de uma viragem das mentalidades para o Eu e do reconhecimento de uma vida interior. É Freudiano, claro, tudo isto - e essa parte já não me agrada tanto. Mas adiante.
 
Tal é o fascínio, porém, aliado a essa repulsa visceral, que cheguei a considerar assentar a minha tese de doutoramento no estudo do reflexo da obra em artistas portugueses. Cheguei infelizmente à conclusão que é escasso e fraco e, tendo-me sido desaconselhado que saísse de fronteiras nesse trabalho, mudei para uma abordagem mais geral e feminina do fantástico por cá. Na altura, achei que tinha sido boa a mudança forçada, seria um trabalho doloroso para mim. Agora tanto faz: está tudo parado.
 
Quando iniciei as minhas pesuqisas, porem, encontrei alguns "objectos" artisticos interessantes, antigos e recentes, nacionais e estrengeiros, e é isso mesmo que quero partilhar. Para evitar um post ainda mais longo, fico-me por quatro imagens. Estas:
 
Magritte
 
Dali
 
Mark Ryden
 
Sonja Tynes
 
Munoz
 
Paula Rego
 
João Concha
 

Quarta-feira, 15 de Maio de 2013

Palavra

 
Palavra a rasgar ferocíssima a garganta
lâmina por dentro a cortar as entranhas
a sacudir lajes no peito é tremor de terra
torrencial na veia a tempestade de letras
vagalhão em mares de sangue e plasma

palavra escorrendo mel em paredes de pele
ardendo tardes de verão com cheiro de flor
revolvendo terra no nascer tenro do caule
passos na prata iluminada suspensa no céu
plumas dos dedos na pele suada do amor

o corpo no vento que o furacão carrega
a pedra que germina no coração da terra
unhas dolorosas arranhando as escarpas
semente rompendo do ventre doloroso
sobre o respirar se verte assim a palavra



Caterin
imagem de : http://caterin.wordpress.com/2008/03/20/words/

"Autores que nos unem": programa da PE para a Feira do LIvro

 
 
Começa no dia 23 de Maio a Feira do Livro de Lisboa! É um dos momentos em que Lisboa se anima, ou se animam os leitores de Lisboa.
 
 
 
 
Já é conhecido o programa da Porto Editora que, por motivos óbvios, me interessa muitíssimo! Vejam o dia em que lá estarei! Já viram a companhia maravilhosa que vou ter? Queridos leitores, que medo me dá de por lá ficar abandonada!   
 



 
No último dia de Feira, Dorothy Koomson, José Eduardo Agualusa e Luís Miguel Rocha recebem a companhia de Carla Soares, Golgona Anghel, António Brito e João Céu e Silva. Será que José Luís Peixoto aparecerá?
 
Vejam aqui o restante programa.


 

Segunda-feira, 13 de Maio de 2013

Tempo para escrever

O desejo de qualquer escritor é poder escrever. Cada vez mais e melhor. Ter a inspiração, evidentemente, as ideias, a capacidade de pô-las no papel (ou no ecrã) de uma forma que traga prazer para quem lê, num bom português. Tudo isto ou se tem, ou não se tem, ou aprende-se ou não, ou se melhora ou não. Uns são mais teimosos, mais persistentes, outros menos, uns são mais permeáveis à crítica, outros não a aceitam, alguns são mais clerividentes quanto aos seus próprios defeitos e à qualidade dos seus textos, outros vêm em tudo o que produzem uma obra prima. Eu confesso: ainda não escrevi nenhuma, não sei se alguma vez escreverei, nem sei se a reconheceria se escrevesse.
 
Inegável é que, para escrever, é preciso... tempo para escrever. É o que invejo, coisa feia, a quem o tem. A quem vive da escrita ou de outra coisa qualquer, e pode dispender longas horas de concentração descansada num texto. Por que isto de escrever não é só escrever, como muito bem sabe quem escreve ou anda a tentar. Para um poema, podem chegar uns minutos, se o impulso está lá. Pode até ser um excelente poema. Mas sempre que há uma história a desenvolver, há muitos aspectos que antecipam e acompanham o verter das palavras para o papel.
 
Há, por exemplo, o planeamento. Não perco muito tempo com ele, por duas razões: nunca cumpro o plano, e acredito que o livro só nasce quando o escrevemos. Podemos planear uma vida inteira e nunca chegar a produzir uma história. Mas é preciso ter, pelo menos na cabeça, uma ideia, um delinear das personagens que nos servem, mesmo que depois as vamos ajustando. Para isto, é preciso tempo, não só em minutos ou horas, mas tempo útil de cabeça descansada e sossego.

Há, em muitos casos, a pesquisa. Certos livros exigem-na, é lugar comum. Recentemente dediquei-me aos de época e é um deus nos acuda. Nem me refiro ao conhecimento da época histórica em geral, as voltas e reviravoltas políticas, económicas e sociais que estão acessíveis em inúmeros livros e sites. Refiro-me aos pormenores. Um pormenor insignificante, como por exemplo que navios partiram de Portugal para os Estados Unidos em certo mês de certo ano pode levar horas, dias a descobrir. Onde se podia cear em certa cidade no início do século. Como se chamava a rua X no ano Y e que aspecto tinha. Esses detalhes que tornam "real" uma história, quando me interessam pessoas mais do que acontecimentos históricos e... enfim, as personagens se mexem e falam e comem, e dormem e se vestem!

A inevitável escrita. Longas horas de batalha perante as teclas, para trazer à vida gente que se possa amar e odiar, acontecimentos plausíveis num certo quadro histórico real, mas que sejam muito humanos, individuais, e não ilustrações de uma época, e que, idealmente, obriguem o leitor a uma leitura compulsiva. Que sejam lógicos, bem encadeados, com bom ritmo, bom equilíbrio entre acção, instrospeção, informação, diálogo e descrição. Posto assim, parece demasiado. E é. Precisa de tempo. E depois a  revisão. As revisões, uma duas, tantas quantas forem precisas até o texto apresentar uma estrutura e português decentes, e o minímo possível de gralhas. Eu não a destesto, como tanta gente, embora por vezes já nem possa com certo texto. Corto cenas, acrescento cenas, transformo discurso em diálogo, reescrevo muito. Horas e horas, longos dias a aprimorar. A afinar.

E para isto tudo o quê? Tempo, que é do que carecem todos os escritores que não o são a tempo inteiro nem têm quem ajude. Queria viver da escrita? Sim, para poder escrever mais e melhor.

Domingo, 12 de Maio de 2013

O resultado de um fim de semana à beira Tejo...

 
 
A papoila abrindo   
o rosto vivo ao sol
O peso do vento
nas lâminas de erva verde 
 
O ardor do sol
derramado
sobre as linhas meigas
da colina
Onde o rio manso
centelha entre margens
 
 
O zumbido
da vespa sobre a rosa
canto delicado do amor
O perfume exultante
da flor do limoeiro
 
Padrões breves
da calidez do Estio
na renda delicada


do voo do estorninho