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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Novidade!!

Há coisas que justificam acordar - por uns momentos - o monstro que dorme. Uma delas é um novo livro! 

Anda em preparação há uns tempos, a par com muitas mudanças. De editora, por exemplo - segui a equipa que formava a Marcador e com quem gostei sempre tanto de trabalhar no seu novo empreendimento: a Cultura Editora. Também estou em conversações com a Agência das Letras, que, segundo espero, me agenciará muito em breve. 

E este livro... é um rumo novo - para não dizre uma nova experiência - na escrita. Não abandonei a escrita de época, na qual hei-de aventurar-me mais vezes, mas este é outra coisa. 

Vai estar à venda nas livrarias a partir de dia 17 de Novembro, mas já existe em pré-venda em várias livrarias online, incluindo no site da Cultura.

E antes de adormecer outra vez o monstro, cá ficam a maravilhosa capa e a sinopse!



O meu nome é Adriana. Vivo na Argentina, terra da minha mãe.
A minha família paterna, os Brancos, era gente do Porto. Foi ali perto que nasceu o meu pai, numa grande casa junto ao Douro.
Agora eu sou a última dos Brancos. É minha a pequena herança da minha tia: os últimos quadros que o meu tio pintou. Vim ao Porto buscá-los. Vim conhecer a velha casa de família. Vim descobrir a sua história e os seus segredos. Vim descobrir-me.
Oxalá nunca tivesse vindo.

Ansiosa por regressar à Argentina, mas presa a Portugal, distante do homem que ama e da mulher com quem vive, Adriana está perante um dilema universal e intemporal: manter-se comodamente na ignorância ou desvendar o passado da família, como se de um caso policial se tratasse, enfrentando assim aquilo de que andou a fugir toda a vida, por mais doloroso que seja.

Num jogo magistralmente imaginado pela autora, entre a vida atual de Adriana e os ecos do Portugal antigo, machista e violento dos seus pais e avós, esta história, de uma família e dois continentes, é uma viagem entre o presente e o passado, uma ponte sobre o fosso cultural que separa as gerações, um tratado sobre tudo aquilo que a família pode fazer à vida de um só indivíduo.

Entre a sombra e a luz, deixando que por vezes os silêncios falem mais alto do que as palavras, Limões na Madrugada é um romance sobre o amor incomum, o poder da família e a necessidade da coragem.


UMA HISTÓRIA TÃO SUBTIL QUANTO IMPLACÁVEL.

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Encerramento temporário (ou não)


Image result for Até breve

De vez em quando acontece isto, deixo de ter tempo para o montro ou vontade de escrever nele, deixa de fazer sentido e ser um prazer, para ser uma espécie de peso - porque passo o tempo a pensar que preciso de escrever nele, mesmo que não tenha nada para dizer - e preciso de dar-lhe férias. Se calhar, há um tempo de vida natural para estas coisas e o monstro está a morrer, ou talvez precise apenas de uma intravenosa de vitaminas. Ou talvez seja eu que, neste momento, preciso de simplificar. 

Ou seja, talvez volte em breve, talvez não, veremos. A página não vai desaparecer, nem as publicações que já existem. Vou é deixar de publicar coisas novas e de vir cá ver se alguém quis vê-las. Agradeço à meia dúzia de leitores que costumam cá vir... pois não, o descanso do monstro não vai ser uma grande tristeza para este mundo e, nesta altura, nem para mim. Se tiverem curiosidade sobre qualquer coisa que pudesse publicar aqui, espreitem a página de autora do facebook, que passou a chamar-se apenas Carla M. Soares - autora. O link é este, para seguir ou gostar. Fico grata.


Também tenho twitter, este, embora não faça ideia nenhuma de como aquilo se usa à séria. As notícias fundamentais hão-de andar por lá também, por exemplo, se houver algum novo livro ou alguma outra coisa relacionada com a literatura. Se gostarem mais, estão convidados. 

As opiniões continuarão a constar do Goodreads, que é este. Se ainda não conhecem esta comunidade, vão ver. Podem deixar e recolher sugestões de livros, entre outras coisas. 

E é isto. Até breve, ou até sempre. 

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

dias tortos

há dias longos
de cordas partidas
uma tecla branca fora do lugar
uma pedra vulgaríssima
no estômago
a casa cá dentro
virada muito do avesso
dias de café forte
para devolver
as coisas tortas aos seus lugares
não sou de empurrar
montanhas
mas talvez tome mais um
e tente

terça-feira, 1 de agosto de 2017

nem me distingo pelo sexo

eu sou este homem que aqui vês
nem sequer sou um homem
bem me vês eu sei
mas este é o homem que eu sou
nem me ergo em maiúscula
nem me faço pequeno
nem me distingo pelo sexo
sou ideia, barro e sangue
sou esculpido em pedra porosa
se não sou rochedo sou areia
dá-me o vento e espalho-me
também sou semente
e sou como se diz, o verbo
sou boca com nada para dizer
e tantas palavras ou, ao contrário
boca com tanto para dizer
e palavra nenhuma me chega
mas sou sempre esse homem
que mete as mãos dentro do peito
para massajar o coração
antes de depois do sobressalto
a toda a hora, portanto
e sou o homem pousado no beiral
à espera das asas, ou do fim
do medo de voar sem elas e acabar
nisto sou apenas homem
não me distingo pelo sexo
nem me ergo em maiúscula




quinta-feira, 27 de julho de 2017

As boas NOVIDADES!

Há uma nova editora no mercado, a Cultura Editora. 

A equipa, como alguns reconhecerão, é a da minha anterior editora, a Marcador, que sofreu algumas transformações. Os meus livros O Cavalheiro Inglês e O Ano da Dançarina continuam a pertencer a esta editora e a ser geridos por ela. 

Eu... eu acompanho, com muita alegria, a maravilhosa família que se lança nesta aventura. O que é que isso quer dizer? Que, se tudo correr bem, o meu próximo livro terá a chancela Cultura Editora.

Comigo na editora estarão autores como Joel Neto, Samuel F. Pimenta ou Flávio Capuleto, que anunciaram já pelo facebook a sua associação à nova editora.

Estou entusiasmada. Primeiro, há mudanças que chegam mesmo no momento certo. Segundo, é um prazer poder continuar a trabalhar com o João, a Marina, a Liliana e o Hugo. Não podia desejar equipa mais profissional, dedicada ou simpática. 

E portanto... vamos a isto! 





domingo, 23 de julho de 2017

outra violência

não é o sacudir dos alicerces
o ruir do edifício
não é a arma na mão do homem
não é o choro na voz
da mãe
nem sequer o sangue
nos escombros
é o olhar do menino
assombrado
seco
a pergunta esquecida
na boca aberta
são as pernas cobertas de pó
tão curtas
a boneca  quebrada no colo
de quem será
para sempre o medo do som
o medo da noite
do dia
do troar do comboio
eterna a perda
essa é a violência que eu temo




sábado, 22 de julho de 2017

Aventurar-me - os desafios

De vez em quando sou acometida de uma certa inquietude, e de vez em quando sou forçada a ela.

A minha vida tem um lado familiar muito estável e um lado profissional que, a espaços mais ou menos regulares, ameaça revolução. Sou professora há mais de 20 anos, quase 22, mas não pertenço ao Quadro de um escola: sou Quadro de Zona, o que sognifica que, a cada concurso, sou colocada perante a eventualidade de mudar de escola, sem o desejar. Claro que, com todos estes anos de profissão, estou já bem colocada para fazer as minhas escolhas, mas entre a probabilidade e a certeza vai uma distância que é monstruosa, para quem espera.  Tenho sonhos esquisitos na véspera da "rande revelação", bate-me o coração que é um disparate enquanto consulto a lista maldita, dividida entre a esperança de continuar na minha querida escola e o medo da interferância de algum espírito maligno  ter forçado toda a gente que está à minha frente a fazer as mesmas escolhas do que eu, e me ter atirado para alguma escola que não escolhi, mas já estou acostumada a isto e aprendi, há muitos anos, a não me afligir por antecipação.

Há, porém, outros desafios, que estão relacionados com a minha segunda ocupação, a escrita - não posso chamar-lhe profissão, quando não vivo nem viverei dela - que é muitas vezes a primeira no coração, perdoem-me todos os alunos de quem gosto tanto. É uma missão pejada de dificuldades e impedimentos, que são causados muitas vezes pelo meu ganha-pão, de dúvidas terríveis quanto à pertinência do que faço, de cansaços e desapontamentos, quando se constata que o nosso trabalho teve uma recepção boa, mas limitada (e sim, estou a falar deste último, de que eu e os leitores parecem gostar, mas teve muito pouca saída), mas é, ao mesmo tempo, uma compulsão, que se alimenta de si própria e das pequenas recempensas, de uma opinião agradável ou de um pequeno reconhecimento. 

Esta ocupação coloca desafios sérios e muito estimulantes à minha personalidade um tanto instrospectiva e às minhas naturais inseguranças: é preciso, de quando em quando, sair da minha casca para comunicar com os leitores, que, decidi, não hão-de adivinhar a minha timidez. É um exercício cansativo, que me surpreende sempre com uma certa vontade de fugir a meio da coisa. Depois passa e reconheço, no fim, o bem que me faz. É preciso atirar-me de cabeça, ocasionalmente, a tipologias de texto que nunca antes contemplara redigir, como o conto ou, recentemente, a crónica,  nada fácil para quem é escritora de romance, de dissertação, de artigo científico (embora há muito que não o faça, com grande pena minha) e do ocasional poema desafinado. Mas faz-me bem. Faz-me bem. 

E depois, há aquele empurrão que vem precisamente quando nos sentimos estagnados.  Afigura-se uma mudança no horizonte, que é também uma permanência: como mudar de casa, para acompanhar a família. Veremos o que muda, o que se mantém, para além da gente maravilhosa. Vamos ver também se posso acompanhá-la com uma pequena variação noutros aspectos, mas disso vos darei testemunho em breve. Para já, talvez esta seja a mudança de que necessito num momento de particular indecisão quanto à escrita... Vamos ver se este empurrão me põe por fim na trilha certa!