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segunda-feira, 29 de maio de 2017

Sorteio O Ano da Dançarina (a propósito da FLL)

Não tarda mesmo nada, só faltam quatro dias, abre a Feira do Livro e, porque é uma festa, junto-me com um SORTEIO de um exemplar do meu romance mais recente O Ano da Dançarina, autografado, se o desejarem.

Vou estar na Feira no primeiro dia, dia 1, e, portanto, o passatempo dura até à meia noite do dia anterior, dia 31. São três dias de passatempo.

Para participar, basta "gostar" e "partilhar" a partir da publicação no Facebook.




O sorteio será feito no dia 1 entre os que partilharam o sorteio a partir daqui. Não serão consideradas partilhas feitas a partir do blogue, nem de outras partilhas ou de outras páginas e, por questões práticas, o passatempo limita-se a participantes com endereço em solo nacional (incluindo as ilhas da Madeira e Açores).

Boa sorte, e até breve!

domingo, 28 de maio de 2017

Na Feira do Livro

Este ano, vou ter a oportunidade de estar duas vezes na Feira do Livro: no dia 1 e no dia 18. Quase podiam dar-me as chaves, que eu abria e fechava aquilo tudo.




Estarei, claro, com a editora Marcador no espaço da Presença, que anuncia aqui o seu programa.

No dia 1, O Ano da Dançarina beneficiará de uma promoção especialíssima - para além de mais barato, como é evidente, pode vir ter comigo e levá-lo autografado.

No dia 18, encontram-me na companhia de outros autores, e dessa vez é O Cavalheiro Inglês que está em promoção especialíssima-especialíssima, por isso, se ainda não leu e tem curiosidade, este é o dia!

Espero-vos lá, para muita conversa e, se calhar, algum autógrafo!


sexta-feira, 26 de maio de 2017

Cidade Mulher

Atracamos hoje descalços quase nus
é dia de calor abrasador no cais
um rio cintila como jóia entre seios
de uma mulher bela no seu cabelo prata
estende braços lisos sobre as esquinas
coxas pétreas antigas muito quietas
de veios finos incertos como ruas
para o centro, o centro branco ali mesmo
uma praça aberta ao mundo inteiro
útero de maravilhas de pedra e sol
e viagens de navios de pau e coragem
mulher elegante na largura do caminho
mais adiante será curva e escarpa
beco e tasca e sacada em sacada
escura e torcida velha vizinha azeda
Viemos saber quem era esta mulher
de alma de velha em corpo de menina
voz rouca de fado e brado de varina
para aprender as rugas da sua pedra
na nossa pele de por dentro viajantes



sábado, 20 de maio de 2017

O Dançarina foi a Perosinho

que, numa coincidência engraçada, de que só me lembrei mesmo no fim do encontro, aparece muito rapidamente referido lá pela página 189 ou 190!!

Como foi, perguntais vós. Uma maravilha, respondo eu.  

A meio da tarde saímos, pela terceira vez em menos de um mês, com destino ao Porto, para esta última tertúlia sobre O Ano da Dançarina. Fomos primeiro cumprir as francesinhas, como compete a quem visita o Porto, com o Paulo M.Morais, que acedeu com gentileza a orientar esta conversa no Perosinho, em jeito de lançamento, e a Isabel Rio Novo, autora de Rio do Esquecimento, e chegamos ao Perosinho quase, quase com pontualidade britânica (vá, só com uns cinco minutos de atraso).

O Paulo já me tinha falado um pouco sobre esta Biblioteca, que não é Municipal e que depende do empenho do Vitor e da Anabela, da Manuela, do José, da Carmindo, do Eduardo, do Jaime e da Albina. E que empenho! Nenhum aviso me poderia ter preparado para a surpresa de ver este espaço, em si acolhedor, preparado com tanto esmero para apresentar o livro! À chegada, não só fui recebida com toda a simpatia, café e alguns mimos saborosos, como me deparei com um espaço de tertúlia organizado ao jeito de café (mesmo como eu gosto), e decorado com as reproduções de notícias e fotografias da época que podem ver, sobre a primeira guerra e a pneumónica. Entre duas confortáveis cadeiras, ao centro, a capa do livro... e a máquina antiga? Tem um excerto do Dançarina!

Depois de dois dedinhos de conversa e admirado o espaço, tão bonito!, sentamo-nos para a tal conversa e eis que entra a jovem Mafalda, que abriu a tertúlia com uma delicada dança. Que dizer, a não ser que fiquei encantada? Como se não bastasse, prosseguimos com a leitura da declaração de guerra alemã aos portugueses e de um texto sobre a pneumónica que eu juraria reconhecer das minhas pesquisas. Que maravilha! 

Foi então que, depois de algumas palavras do Vitor, o Paulo Morais abriu as hostilidades, e a nossa conversa fluiu, com meia dúzia de perguntas certeiras, de jornalista, não só o livro em si, mas sobre a sua categorização (histórico ou de época?), sobre o processo da sua construção - e da minha construção da escrita, em geral - sobre o presente,o passado e o futuro, o romance de fantasia, o contemporâneo, a poesia e até o M. no meu nome! Mauzinho. O M. do Paulo é de mauzinho. Conheço o Paulo há já uns anos, de ouras andanças, pelo que acabou por ser uma conversa descontraída, divertida, em que cheguei a esquecer-me de que havia gente que não me conhecia a assistir. Quando assim é, sentimo-nos ao mesmo tempo um pouco atemorizados (terei dito alguma coisa que não devia?) e muito satisfeitos. 






Terminada a conversa, houve lugar a assinatura de livros, a conhecer a Maria Manuel Magalhães, do blogue Marcador de Livros (podem ler a sua opinião do Dançarina aqui) e a Ana Ferreira, com quem converso há anos online, que já leu muita coisa minha e de quem já li algumas coisas também, mas que ainda não tinha tido oportunidade de me cruzar pessoalmente. Conversou-se, brindou-se à Biblioteca, aos escritores e aos leitores, fizeram-se fotografias, em ambiente de festa. 

Na despedida, fica a minha admiração por quem leva adiante estes projectos com tanto carinho e amor pela literatura, e a minha gratidão, ao  Perosinho e ao Paulo. Não é adeus, é até à próxima!







E trouxe comigo uns miminhos...

quinta-feira, 18 de maio de 2017

a bolha

bolha
ilude com beleza irisada
e leve
mas vejam
vejam
a fragilidade translúcida
não engana
escutei muito bem
sei que se espera
força
largas asas
peito como quilha
de uma nau
mas é tão intensa
a ausência
de um pedestal
todo o voo
é breve
toda a queda
dura
toda a miragem
se gasta na distância

segunda-feira, 15 de maio de 2017

A maioria dos livros...

... vive menos tempo do que leva a nascer.
Depois da sua morte, alguns têm ocasionais rasgos de Fênix, renascendo com mais ou menos fulgor para fenecer novamente, mas a maioria permanece como costumam ficar os mortos: morto.
Um ou outro, mais raros, fazem-se (quase) perenes.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

limões de madrugada

hora de erguer o corpo
e fender janelas
quero a luz azul da madrugada
onde o bafio fede
não se respira
nos quartos cerrados
atravessar a casa
abrir porta atrás de porta
até à última
cada labirinto
sua saída
ir raspar caminhos novos
no saibro de um jardim
e porque não?
posso ter jardins
do lado de fora
desta meada de paredes
ir caminhar desengonçada
de dedos dos pés
na pedra fria
entre hortênsias
e brincos-de-princesa
passar os dedos
nas folhas húmidas
de orvalho
poder seguir
de olhos abertos
a perfeita liberdade
do azul a nascer no horizonte
e do aroma dos limões
de madrugada