Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Célia Correia Loureiro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Célia Correia Loureiro. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Uma Mulher Respeitável - Opinião

Resultado de imagem para uma mulher respeitávelUma Mulher Respeitável é o segundo livro de uma (espécie de) trilogia que inclui A Filha do Barão e e um terceiro livro de cujo título não estou segura - e fica por isso para mais tarde. Não requer, porém, a leitura de A Filha... para ser compreendido ou apreciado. Quem o tiver lido, porém, poderá acrescentar à história qe a Célia Correia Loureiro escreveu mais uma camada, uma vez que fica a conhecer o destino de algumas personagens já familiares. 

É preciso ler este livro, se não com tempo, porque os capítulos curtos e o estilo fazem com que voe, decerto com atenção. A Célia construiu-o como uma espécie de puzzle, ou como um daqueles palácios de espelhos, ou as duas coisas ao mesmo tempo. Somos apresentados às personagens num certo ano, numa determinada fase da sua vida, e depois recuamos, por vezes muitos anos, por vezes menos, e regressamos depois ao monento inicial, para logo recuarmos mais uma vez, e neste jogo de flashbacks vão-nos sendo acrescentados novos dados, novas facetas à história e às personagens - umas mais surpreendentes do que outras, umas com mais desenvolvimento do que outras. Nada é linear e muito pouco aquilo que parece, e mais não digo, sob risco de fazer aqui um grande spoiler. 

A escrita é escorreita, adequada à época, cuidadosa. A pesquisa, tanto quanto me é possível perceber, é muito sólida, nos factos e nos detalhes. É muito fácil sentirmo-nos transportados para a época. 

Disse a Célia no lançamento deste livro, que tive o prazer de apresentar, que não sabe escrever livros felizes. É verdade, este é o quarto livro da Célia que leio e posso comprovar: há sempre algo de trágico nas suas histórias. Boas histórias, bem contadas, bem escritas, com personagens que nem sempre nos são simpáticas, nem devem ser. Acontece o mesmo neste livro, e mais uma vez não avanço nada que seja spoiler. A Célia sabe, porque já tive oportunidade de lho dizer, que gosto de um pouco mais de "luz", um pouco mais de esperança a contrapor à tragédia, uma possibilidade de felicidade para as personagens, nem que seja apenas uma sombra, etc. Escrevermos e fostarmos de coisas diferentes é, porém, o que faz da literatura uma coisa tão versátil e interessante. 

Quanto ao livro da Célia, cuja oferta e oportunidade de apresentar agradeço, é ler, senhores, porque vale mesmo muito a pena. E é ler os livros futuros, porque a Célia é uma menina e, como já disse, a este ritmo e já com esta qualidade, quem é que a agarra?  

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Convite - Lançamento

Ainda não é o meu, mas é o da Célia Correia Loureiro, que escreve belíssimos livros.

Vou ter o prazer de apresentá-lo no dia 12 de Outubro. Estão todos convidados.

terça-feira, 10 de maio de 2016

É desta, duas autoras!

É agora que, por fim, eu e Célia Correia Loureiro vamos estar juntas, e no mesmo espaço inteiramente dedicado à literatura! 

Quando? Onde? (perguntais vós, com ansiedade...) 

Na Feira do Livro de Lisboa, claro! Que outro espaço seria melhor para por fim nos conhecermos?


Embora o evento se chame Encontro com Bloggers, estão todos convidados!
Se quiserem conhecer-nos, conversar connosco ou ter um dos nossos livros autografado,
é só aparecer na...

Feira do Livro de Lisboa
dia 7 de Junho, pelas 19h,
(no espaço da Marcador)

Lá vos esperamos!

sábado, 25 de abril de 2015

A Filha do Barão - Célia Correia Loureiro

Desde que este livro saiu - como primeiro livro RTP - que estava nas minhas intenções lê-lo. Já tinha lido os outros da Célia e conheço bem, portanto, o seu potencial e qualidade.

Comecei-o em Dezembro, depois de o meu Cavalheiro ter sido o último dos livros RTP do ano... sim, em Dezembro, leram bem. Há uma eternidade. Comecei-o com grandes reticências, por me encontrar numa espécie de "seca" de leitura e escrita e pressentir que qualquer leitura corria o risco de arrastar-se e até de ser prejudicada pela minha falta de ânimo. Tinha razão. Eu, que aprecio sempre melhor um livro quando o leio de rajada, porque me envolvo mais, acabei por levar mais de 3 meses, o que não se justifica nem pela extensão do livro, embora seja extenso, nem pela escrita, que não é pesada nem aborrecida. Durante esse período, também não li praticamente mais nada... Recentemente recuperei o embalo e pronto, terminei-o!

A pesquisa da vertente histórica - falamos das invasões francesas - parece-me excelente, e o livro está integrado na época de forma suficientemente subtil e exacta para não nos acharmos a receber uma lição de história, mas para sentirmos de facto a época. Somos imersos nela, em vez de nos ser estendida numa bandeja e explicada à exaustão, o que me agrada e procuro também para os meus livros. A história encontra-se muito bem inserida na História e podemos, com certa facilidade, imaginar como estes acontecimentos pessoais, estas histórias de amores e desamores, traições e lealdades poderia ter decorrido neste período. O enredo é bastante conturbado neste sentido, há várias traições e suas consequências, mas não vou adiantar-me por aqui, para não estragar nenhuma leitura. 

As personagens têm caracteristícas bastante vincadas, o que faz com que a empatia com elas seja bastante variável. D. Sofia é difícil, o que é propositado, mas gostei mais de Daniel, por exemplo, do que de Mariana... e gostei bastante de Isabel, que, nas suas fragilidades, me pareceu ainda assim bastante digna e equilibrada. As acções de cada personagem e as suas curvas de crescimento na história são coerentes e naturais, conduzidas pelos acontecimentos e experiências de cada uma. Nada é preto e branco nelas, não há bem nem mal, há uma vasta área cinzenta em que, como na vida, as personagens se movem, e, porque são humanas, erram tanto quanto acertam. Isso é bom, porque é assim que se vive. Percebem-se as suas motivações, mesmo quando nem tudo o que fazem ou dizem agrada.

A escrita da Célia está, como deve acontecer, mais sólida e apurada, notando-se o cuidado de adequá-la à narrativa histórica. É bonita e, sem ser simplista, despe-se das complexidades que poderiam tornar fastidiosa e difícil esta leitura tão longa e datalhada. Destaco dois momentos muito diferentes no enredo, um mais íntimo, outro histórico: D.Sofia com Mariana e a sua tesoura e  ataque dos franceses ao Porto, a minha cena favorita de todo o livro. Está muito bem descrita, ilustrativa sem se perderem nem a narrativa, nem a personagens. Muito boa,


É, em súmula, um óptimo romance histórico, bem construído e muito interessante, que promete uma bela continuação. Não dou os parabéns à Célia, porque não precisa deles, sabe decerto que tem aqui um belo livro. Devia tê-lo lido numa fase diferente da minha vida de leitora, e nisso, peço as minhas desculpas à autora, não só porque merecia uma leitura mais rápida e intensa, que é, afinal, como leio melhor e com mais prazer, mas também por saber que as leituras paradas não são agradáveis para o autor. 

Sei que há uma continuação (que o fim pede, sem dúvida) e eu quero lê-la... e prometo só o fazer em bom momento, para não voltar a demorar tanto tempo.