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domingo, 5 de fevereiro de 2017

História de Quem Vai e de Quem Fica - Elena Ferrante

Terminado este terceiro volume de A Amiga Genial, de Elena Ferrante - História de Quem Vai e de Quem Fica - e tendo já dito tanto sobre os livros anteriores, deixo apenas umas notas: 

Resultado de imagem para história de quem vai e de quem ficaos títulos são mais geniais do que a amiga, principalmente este;
foi interessante acompanhar uma fase mais madura do desenvolvimento da narradora, Lenú, e da sua amiga Lila, e um certo esgaçar da dependência... da subserviência, é assim que diz Lenú,  desta para com Lila;
alguns momentos de discurso mais político deixaram-me uma irritação vaga, mas eram inevitáveis, tendo em conta a época de tumulto comunista-fascista em Itália (e não só) em que a história se desenrola;
por esta altura, envolvida como vou estando na vida destas mulheres, já não estou certa de saber dizer se o livro é melhor ou pior do que os anteriores;
e que fim foi aquele?? Um cliffhanger num livro desta natureza? E eu que tenciono adiar a aquisição e leitura do quarto e último volume para depois da de O Labirinto dos Espíritos e do livro Hunter, em inglês, que me foram rcentemente oferecidos pelo meu marido!

A opinião é breve, mas remeto para as anteriores:




quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

História do Novo Nome - Elena Ferrante

Resultado de imagem para História do Novo Nome - Elena FerranteTem-me apetecido cada vez menos dissecar os livros e transformar a leitura informal, por prazer (são todas, ou não as termino) em opiniões. Sinto-me, de certa forma, comprometid com os objectivos iniciais deste blogue, e por isso vou fazendo o esforço, que, tendo em conta  aminha formação, devia ser também ele um exercício prazeroso, mas nem sempre é. 

Ainda hoje, numa opinião no GoodReads sobre o volume seguinte da Ferrante, uma leitora diz que se sente contagiada pela ferrantefever. Também eu devo ter uma pontinha dessa febre, porque mergulho nestas histórias azedas com gosto e chego ao fim cheia de vontade de continuar a lê-las, mesmo que tanto na história e nas personagens seja desagradável.Tem de haver alguma espécie de magia na forma como a autora tece os pequens acontecimentas banais e/ou desagradáveis, as pequenas ilusões e desilusões, as traições que, sendo insignificntes, vão moldando a vida de quem as vive. São tratados de psicologia com um tantinho de boa História, porque o ambiente de uma certa época (agora anos 60), numa certa zona de Itália (bairros pobres de Nápoles), se consegue respirar. Ou é irrespirável, se preferirem.

Não poderia, em abono da verdade, dizer que é fácil contactar com estes ambientes degradados. Não falo só de degradação física, de pobreza ou sujidade, que são omnipresentes no bairro pobre onde a maior parte da acção se centra, e que parece pegar-se, como uma gosma, aos outros locais que, ao longo da história, vão frequentando e não são pobres. Falo também de uma espécie de degradação moral. que advém da miséria e da escassa educação, e que conduz aos impulsos violentos, à mesquinhez e à inveja de que padecem quase todas as personagens. No caso de Lenú (e adivinha-se que noutros também) adiciona-se uma espécie de consciência insegura da sua própria insuficiência, como se a miséria se agarrasse à pele e pudesse mostrar-se a qualquer momento, na circunstância mais inesperada. Infelizmente, sem ter origem nem conhecimento da miséria, compreendo demasiado bem a sensação de insuficiência e identifiquei-me, num ou noutro momento, com Lenú. Talvez nos suceda a todos.

Esta impressão de Lenú permeia todas as suas palavras e actos, desde os mais cobardes aos mais corajosos, faz empalidecer os seus sucessos, impede-a de se impor. Esta, que é uma história coming-of-age, atravessando os últimos anos da adolescência das duas jovens - e seus companheiros de infância - e a sua entrada intempestiva na idade adulta, é também história de sucessos e insucessos, desses de todos os dias, fazer um curso, arranjar um emprego, mudar de emprego, ser reconhecido, ter namorado, casar ou não, ter filhos ou não, ter ou não dinheiro, roupas, um carro. Não é épico, a não ser na vidinha de cada um. E, como na vida, se calhar, o tempo traz, leva, traz, leva. Nenhum sucesso ou insucesso parece permanecer, tanto que, por vezes, chega a cansar abrir caminho por entre a lama deste livro.

A personagem de Lila, Lina, Lennucia, o que quiserem, desde o primeiro livro indutora de boa parte dos sentimentos bons e sobretudo maus de Lenú, é-me abominável em tudo o que faz, porque tudo o que faz se centra quase em exclusivo na sua vontade e no seu umbigo. Parece-me desprovida de generosidade, porque mesmo a sua generosidade é interesseira. Se ela me chega assim por lê-la através das palavras de amor-ódio de Lenú - demasiadas vezes pronta a encontrar motivos para invejá-la, mas, ao mesmo tempo, para perdoá-la - ou se sou eu que leio nas entrelinhas, para além do fascínio da sua persnalidade aparentemente apaixonada, não sei. Nem me importa. Estas personagens, estes lugares, estes acontecimentos, não foram feitos para ser amados. Como na vida, existem. E nós lemo-los como nos aprouver, de acordo com as nossas próprias experiências. 

Terminado este, não posso se não querer muito continuar.
    

sábado, 23 de julho de 2016

A Amiga Genial, Elena Ferrante - opinião

Elena Ferrante e a sua tetralogia andam, nos últimos tempos, nas conversas sobre livros e nas mesas de cabeceira de meio mundo e, por isso mesmo, estava decidida a não ler. Receio sempre desapontar-me ou, pelo contrário, deparar-me com qualquer coisa de tão genial que me estrague para a escrita e, por pura vergonha, seja incapaz de voltar a escrever. Já devia ter aprendido que ambas as coisas são improváveis, a primeira porque, quando as opiniões são na generalidade tão boas, a obra também costuma ser (claro que pode dar-se o caso de não apreciar a escrita ou a história, por uma questão de gosto pessoal) e a segunda porque tenho lido muitas coisas maravilhosas e ainda não deixei de escrever. Quando muito, vou morrendo de vergonha enquanto me esforço mais.

Não me deterei muito a elogiar a simplicidade do livro, um desses que prova que não é preciso que se exija um dicionário ou se exiba frases terrivelmente intrincadas (aliás, as protagonistas são crianças ainda, que sentido faria?) para ser complexo e intenso. A estrutura é, de certa forma, elaborada,  não segue com toda a linearidade a linha do tempo, mas a das recordações da personagem-narradora, que vai preenchendo com elas o esqueleto dos seus anos de crescimento  com Lilla (ou Lina? oscilou entre os dois e não sei se é de propósito ou gralha) num bairro pobre de Nápoles. Não há grandes recuos, mas pequenas digressões que nos conduzem de novo ao ponto de início de uma certa narração. E há, claro, a complexidade de um bairro labirintico, não tanto na sua composição, porque o entendemos bem, mas nas relações entre os habitantes. Confesso que aqui e ali me perdi nos nomes e sobrenomes das personagens, mas pode ser culpa minha, que sou péssima com eles (no Cem Anos de Solidão tive de desistir, adorei a leitura sem me preocupar com as montanhas de Aurélios Buendias... ou também já confundo este nome?)

O bairro surge, na visão infantil de Lenú, narradora, como um mundo aparte, uma aldeia separada do resto de Nápoles, onde tudo acontece segundo as regras do próprio bairro. É quase um filme de Fellini, este bairro, com a sua pobreza e sujidade, a gritaria, a violência dos amores e ódios, a promiscuidade nas vivências diárias em que todos sabem tudo e todos se envolvem em tudo. E tudo isto vamos compreendendo, ao longo das páginas do romance, conforme a própria Lenú o compreende.

O que me tocou, de forma muito pessoal, foi a narradora. Devia ter sido Lilla a intrigar-me? Talvez, ela é apresentada pela própria Lenú como uma criatura quase misteriosa, má, inteligente, genial, com uma compreensão para além do normal das coisas, alguém que está sempre um ou dois passos adiante do resto do bairro e da própria Lenú. Inalcansável, mesmo antes de ser bela ou distinta. Talvez seja. Mas a mim, fascinou-me Lenú, porque a compreendi. O que a perturba em criança, na puberdade, como jovem adolescente, foi o que a mim me atormentou e, ressalvando as devidas distâncias de contexto social - não faço ideia do que será crescer numa pobreza tão extrema nem num bairro de características fellinianas, no pós guerra - reconheço-a. Sei quem ela é quase ao ponto de ela ser eu e eu ser ela, nas dúvidas e nas tristezas que a atormentam. O livro não é obscuro, não é deprimente, mas tem-se um pressentimento constante de uma desgraça ali mesmo ao virar da esquina e de que não será possível a nenhuma destas jovens um fim feliz, que no seu caso representaria apenas fugir ao padrão de violência, desamor e insatisfação do bairro. Aflige-me, a mim que, quando fecho portas às personagens, gosto de deixar-lhes uma janela aberta. Temo até que no fim me apeteça atirar os quatro livros à parede. Por ora, contento-me com alguma luz que vai brilhando nestas páginas e com a esperança de que o tom continue a ser assim, cru mas sem excessivo fatalismo.  

De forma menos pessoal, há a referir que Ferrante é excelente na sua exploração, sem drama, sem lamentação, sem lamechice, tanto das dores de crescimento das raparigas, das ansiedades e alegrias que a adolescência traz, tanto como da vida do bairro e das circunstâncias sociais (tão subtil!) da Itália dos anos 50. Ninguém sabe ao certo se Ferrante é uma mulher. Se não é, tiro-lhe o chapéu. Se é, tiro-lho na mesma. E agora com licença, que vou ali à Fnac comprar os outros volumes. Quero saber o que será feito de Lilla (Lina?), mas sobretudo de Lenú.  

sexta-feira, 1 de julho de 2016

E porque sou fiel à minha palavra...

e disse que, enquanto não acabasse a revisão de O Ano da Dançarina, não lia nada de bom, vieram estes cá para casa




para se juntarem aos outros que já esperavam por mim.

Resta saber se consigo terminar a revisão, antes de ceder à tentação... e de me dar depois como desistente da escrita. Malditos bons escritores!!