Páginas

domingo, 27 de novembro de 2016

esse quotidiano

A nossa canção há-de ser sempre
a de acordar a de adormecer
e entre as duas eu faço a comida
tu pões a mesa tiras a mesa
fazemos filhos criamos filhos
lavo eu a roupa tu fazes as compras
hoje chego tarde tenho reunião
há muito trânsito houve um acidente
não te apresses que um dia
enterramos os pais deixamos ir os filhos
esse dia chega sem darmos por isso
entretanto onde passamos as férias
abre as janelas que está abafado
não que está frio entra chuva e tudo
vê que dia é telefona ao miúdo
toma o comprimido olha o colesterol
amanhã há cinema tu prometeste
anda lá deitar-te não fiques no sofá
chega-te para cá está frio na cama
a nossa canção canta-se sozinha
entre a hora de acordar e a de dormir
nenhum de nós à espera de poesia