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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Está a acontecer outra vez. O quê?


Há cinco ou seis dias que não publico nada. Ou mais, não sei. Não me apetece. Dá-me às vezes a vontade de matar o monstro, dar cabo dele sem misericórdia e sem o olhar nos olhos, e desaparecermos os dois da rede.

Com isso, passaria a largar os meus desvarios literários, i.e os simulacros de poema que infestam as minhas publicações, eles próprios pequenos monstros, num lugar mais adequado, isto é, no fundo de um ficheiro no meio de um inalcansável labirinto informático. Passaria também a deixar de impingir postas sobre os outros desvarios literários, leia-se aqui os meus três livros, que me arrependo de ter publicado pelo menos tantas vezes quantas dou por mim satisfeita por tê-lo feito. Ficariam apenas na página do FB. 

Mais. Deixaria de dar opiniões que pouco interessam, por não serem sobre os livros publicados ontem. Não tenho parcerias para recebê-los, nem poderia comprometer-me a lê-los com brevidade. Como em geral não faço passatempos nem tenho rubricas fixas (nem interessantes nem das outras), ninguém daria por falta, para mais com a quantidade de blogues com tudo isto e mais e muito melhor. Isto dá-me de quando em quando, sem culpa nenhuma do pobre monstro, que tem a sua natureza - e nunca procurei mudá-la, porque gosto dela. Mas também nos cansamos por vezes do que gostamos, não é verdade?

Quando o azedume é tanto e tão sem razão, só assim um súbito cansaço, resisto ao impulso e faço uma pausa, para ver se passa, porque este monstro já tem uns aninhos e afeiçoei-me a ele. Habituei-me à sua presença, assim como um velho fantasma a fazer ranger as madeiras no sotão. Até aqui tem resultado. Venho à superfície respirar e mergulho novamente. Espero que esta seja só uma dessas vezes. Pode ser que me bastem uns dias e regresse ao normal, e siga com o monstro como ele é.

Talvez nesta pausa planeie umas rúbricas, como Noite de Contos; Leio, Logo Excerto; Um Poema ao Fim da Tarde ou Zona de Desconforto - Pergunta À Vontade...

Ocorreu-me até fazer um passatempo com O Cavalheiro, porque ainda não fiz, embora isto de fazer passatempos com os meus livros seja um tanto... desinteressante para os leitores? Ingrato para mim se poucos participarem?

Enfim. o montro há muito que anda moribundo, mas ainda não morreu. Há de sobreviver.