Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Susan Ee. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Susan Ee. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 22 de maio de 2015

End of Days - Susan Ee

A review vai ser em Inglês... porque me apetece. No fim há umas palavrinhas em português.

This is going to be a difficult review, because it's nearly impossible to review the book without spoiling it, and though I don't really mind reading spoilers, I know loads of people hate them. Still, I don't think I can avoid a few... I promise to warn you!  

I liked the two previous books enough to pre-order this one for my kindle and, in spite of having too much work and being too tired to read, as soon as it arrived I couldn't resist and read it right away... in no time at all!

It starts exactly where the last one ends, in mid flight, and it never stops. I have no idea how many pages the book has, but it felt like 50, that's how fast paced it is, stuff happening all the time (always downhill, they can't really get a break). It's so much so that at about 96% of it, things were so ugly for humans, I couldn't believe it was about to end... If I hadn't read a few reviews, spoilers and all, I would think I had been tricked and the trilogy was about to become a saga...

Yet, the end doesn't feel rushed, and maybe that's because not all problems are solved, not all questions are answered. The world isn't perfect and it will never be - it's still in shambles and it will never be whole again. The angels are still angels and Daughters of Men are still only women. Some angels may not care, but they aren't really that angelic any more... The detail I didn't really like [spoiler alert!] was Raphael's decision... no, Raphael's motivation. I would have preferred that he had sacrificed his wings for his people, not for a girl. The angels think that's what he did and I think that his decisions so far and his character pointed that way. 

Because I had read reviews, I was a bit afraid that the relationship between Raphael and Penryn would become too focal in the story and far too hot. I have nothing against hot, but a sex scene every 3 pages would definitely ruin this particular story, which is a very imaginative tale of survival, humanity and personal growth. Love too, of course, but mostly for your family and your kind. I was grateful that the relationship was there, a little more physical, a little more intense and painful, but most of the story happened when they're not together, which is nice. It also limits your perspective of Raphael and the angels to Penryn's point of view, if course... 

There are very nice new characters and the descriptions of the Pitt are amazing... and the monsters! We already had the winged scorpions and the poor people they "ate", but the Consummed! The Sea of Hands! The six headed beasts! What does this author dream about? 

I must say I got a bit emotional [spoiler alert] during the talent contest in the end. Yes, it sounds absurd, you have to read to understand why there is a talent show when shit is about... no, not about to happen, but actually happening. The ghostly beauty of the ballet and the surviving dancers... the sadness of it brought a few tears to my eyes. And then, of course, action started. No, it exploded into gore and death.   

These books were a wonderful surprise. It's no secret I love fantasy and I don't mind YA books, but I was getting a little tired of the topoi in them - too many hot vampires, werewolves, angels and such, all too centered in the relationship and the hotness and the love and the sex. In this post-apocalyptic Earth, this World After, angels are beautiful, of course, but they are creatures of doom, powerful and somewhat evil - mostly because we mean nothing to them - and that doesn't really change. The worldbuild is believable, the bits that concern humans, what happens to cities, how people survive, their struggles, but also "hell" (or the next best thing, the Pitt). The angels on Earth reminded me a bit of high-fashion parties, which makes an odd kind of sense. Penryn is a strong easy-to-like character, a no-nonsense teenager who knows she's a teenager, but has no time for teen angst or silliness. 

No all was unpredictable, but it made sense. It was, all in all, a great YA fantasy read, and I'm almost sorry it is over...

Foi uma óptima leitura de fantasia pura. Boa construção de mundo, tanto no que diz respeito à Terra pós apocalítica, às formas de sobrevivência e resistência dos humanos, como ao Pitt (uma espécie de Inferno). Há um pouco mais da relação entre eles, mas felizmente não se exagera e a maior parte das cenas até são com os dois separados. A acção é non-stop e fantástica, as lutas cheias de sangue e morte, os anjos são belos mas não são "bonzinhos". A protagonista é uma adolescente cheia de recursos, sem tempo para os disparates da adolescência, o que, tendo em conta a sua situação familiar e a situação do mundo, faz todo o sentido. É a sua perspectiva que assumimos sempre. O final faz sentido, não é perfeitinho e arrumadinho, há muito a resolver. Teria preferido outros motivos par a escolha do arcanjo Rafael, mas o resultado seria exactamente o mesmo. Nem tudo foi imprevisível, claro, mas fez sentido e é o que se pede. Em resumo, gostei mesmo muito.  

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Angelfall e World After (Penryn & The End of Days)... e agora?

Tenho muito pouca vontade, nos últimos tempos, de escrita de qualquer tipo. De escrever livros, mas também os poemas que tenho vindo a partilhar aqui no blogue e opiniões sobre o que leio. Vou deixar, porém uma palavrinha sobre estes, o princípio de uma série, porque foram uma surpresa muito agradável.


Histórias sobre distopias estão na moda, sobretudo na literatura YA. Também estiveram na moda, durante algum tempo, fantasias com anjos (não sei bem se ainda estão), mas parece-me que com uma certa tendência para romantizar excessivamente e aplicar clichés adolescentes nesta ideia com um tremendo potencial. Tenho fugido à tentação de ler livros que misturem teens e anjos - fiquei-me pelos que misturam adultos e anjos, e mesmo assim só os da Nalini Singh. *wink, wink* 


Não sei bem o que li sobre Angelfall que me fez adquiri-lo, mas tinha-o há algum tempo no meu kindle, há espera de um momento como este, em que me apetecesse mesmo mesmo regressar à fantasia.  Acontece de forma recorrente. Não tenho escrito nada do género (em abono da verdade, não tenho escrito, ponto final) mas acredito que serei sempre, em parte, escritora de fantasia. E leitora, claro. 

Em Angelfall, Susan Ee constrói um mundo tal como o conhecemos... ou devo dizer destrói? Sim. Destrói o mundo como o conhecemos. A acção decorre no presente, ou num futuro que podia ser daqui a dois meses, que é o período decorrido desde o Fim do Mundo, o Fim dos Dias e o início da acção. Nessa altura os anjos desceram à terra (sim, Miguel, Gabriel, Rafael, Uriel e os restantes arcanjos, com uma hoste de anjos guerreiros e outros que nem por isso) e com a sua chegada vieram tufões, tremores de terra, tsunamis que destruiram parte dos continentes e dizimaram a maior parte da população humana. Ocuparam os lugares que desejaram na terra, perseguindo os humanos, e a população que resta age como se esperaria num mundo destruído: sobrevive como pode, lidando com os novos monstros, o pavor, a morte, a fome, o frio, uns com os outros. Há os que se unem para resistir, há os que simplesmente vão existindo e há os que se submetem aos anjos e trabalham para eles para garantir a sua sobrevivência e a dos seus... como acontece sempre que os mais fortes subjugam os mais fracos. Os anjos, por sua vez, não sabem porque vieram. Têm ordens, como um exército, para tomar este campo de batalha poluído por "macacos" (nós, claro), e há entre eles ambições e lutas políticas pelas posições de maior poder. 

Não sabemos nada disto no início da narrativa, porque Penryn, a rapariga de dezassete anos que é narrador na primeira pessoa, nada sabe a não ser que continua, neste apocalipse, a ser responsável pela irmã paraplégica de sete anos e pela mãe esquizófrenica, como era no Mundo de Antes. Quando as conhecemos, preparam-se para fugir, a coberto da noite, da sua casa para as montanhas, esperando sobreviver não só aos gangues como aos anjos. A fuga interfere numa luta entre anjos, em que um grupo arranca as asas a um anjo solitário. Penryn intervém em seu auxílio (é ler para perceber porque faz tal disparate) e a pequena Paige acaba por ser levada pelos anjos. Penryn vê-se obrigada a salvar o arcanjo Rafael (Rafe), agora sem asas, na esperança de que ele lhe diga como recuperar a irmã. É aos poucos que, pelos olhos de Penryn, vamos percebendo o grau de destruição, sabendo como se chegou a ela e como agem humanos e anjos, as semelhanças que têm e as enormes diferenças - não só através de Rafe mas no contacto com os outros anjos, enquanto grupo, ao procurar a irmã. 

Não vou contar a história, talvez até já o tenha feito em demasia. Digo apenas que Penryn me agradou enquanto protagonista adolescente. É credível a sua posição no Mundo Depois, inteiramente capaz de defender-se, dura e ao mesmo tempo  toda coração, inteligente mas com as dúvidas, medos, tentações e fraquezas adolescentes.Se lhe apanhamos algum pensamento mais tonto e/ou desadequado ao momento, Penryn apercebe-se de imediato e ele é reprimido. Não há insta-love como é costume, e também não há contemplações quanto à violência, seja ela dirigida aos anjos, aos humanos, adultos ou crianças. Há muito sangue e mortes feias, descobertas terríveis, criaturas arrepiantes, momentos que me enojaram e me arrepiaram. E no meio disto tudo a teimosia e força de Penryn, com a qual me foi muito fácil criar empatia, tanto quanto me exasperei. Aqui e ali uma expressão ou ideia pode tornar-se um pouco repetitiva, mas no global o ritmo é acelerado e é muito interessante ver o mundo pelos olhos da jovem. 

Não será para agradar a todos, claro. Embora mais centrado na sobrevivência e no mundo apocalíptico do que em dramas adolescentes, não deixa de ser YA e estar na primeira pessoa, uma pessoa de 17 anos desesperada para salvar a família e que se farta de pensar na vida enquanto age e também se lamenta um pouco, apenas um pouco, como evitá-lo? O mundo está feio. Já não é o nosso mundo, é um cenário de guerra. Os anjos são belos mas não são "angelicais", alguns não me pareceram particularmente inteligentes e todos nos encaram como criaturas insignificantes, macacos que não representam nenhum perigo. O romance proíbido pouco passa de uma sugestão. Há uma criança que vai de mal a pior nas mãos dos anjos, uma mãe louca e violenta... Mas com tudo isto, os livros são "leves" e rápidos, li o primeiro num instante e não resisti a ir buscar o segundo, que tentei fazer render sem grande sucesso... 

O maior defeito desta série? É não estar sequer prevista a data de lançamento do terceiro... E agora?

Nota(s): 
Primeiro, acho as capas bastante bonitas. 
Segundo, é curioso que com tanto anjo, Deus pouco seja referido. Na verdade, apenas o Mensageiro Gabriel, o big boss, "falava" com ele e no início da narrativa já está morto. Nunca ficamos inteiramente certos (nem os anjos) se ele recebia ou fabricava as ordens... Afinal os anjos cumprem ou não ordens superiores? De quem?