A Filha do Capitão, de José Rodrigues dos Santos é um romance de muitas páginas, mais de 600, em que acompanhamos o percurso de Afonso Brandão, o Capitão, e Agnés Chevalier, filha de enólogo e mais tarde enfermeira de guerra, e a presença portuguesa na Primeira Grande Guerra, que eu conhecia mal, e sobre a qual comecei a aprender há pouco com o excelente romance de Cristina Drios, Os Olhos de Tirésias.
Devo dizer que, embora tenha levado muito tempo a ler este livro, por fazer grandes intervalos entre leituras, fui sempre surpreendida com o número de páginas que, de cada vez, acabei por ler. Aprendi e não foi difícil nem doloroso - a prosa é escorreita, as personagens têm alguma coerência, na globalidade o livro é interessante e muito informativo. A apontar... menos às vezes é mais.
Li há alguns anos o Codex 632, do autor, e fiquei nessa altura com a impressão de que o livro sofria de excesso. Excesso de páginas, excesso de informação, informação repetida até à exaustão e, como tal, redundante. Seria consequência da profissão esta vontade de reiterar factos, mas no romance menos seria mais. Menos 100 páginas, se calhar. N'A Filha do Capitão, não cortava nacos de texto repetido quase palavra a palavra. Nada disso. O que eu reduzia eram... detalhes. O número de vezes que há referência aos nomes (modelos?) das armas, por exemplo, as mesmas, em situações semelhantes. Elaborações extensas sobre religião, sem consequências na narrativa mais adiante. Informações mais ou menos de conhecimento geral sobre arte, a encher uma conversa. O linguajar entre os soldados portugueses, que me pareceu exagerado, embora não saiba se será (conhecê-los tenha sido o mais interessante)... Menos teria evitado que, aqui e ali, passasse parágrafos, páginas, perdendo pelo meio, se calhar, alguma informação interessante. Havia muita.
O romance e o fim foram um pouco brandos para o meu gosto e ... este é o maior spoiler de todos... então e a filha? E a filha? Estive sempre à espera que aparecesse a filha do Capitão prometida pelo título e que pelo menos parte do romance fosse com ela, a propósito dela... mas só aparece no fim e tem tão pouca relevância! Senti-me um pouco defraudada...
Uma nota para a capa interior, isto é, para a verdadeira capa... linda.
