Páginas

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

As capas e os títulos

 
Está no blogue Lentes de Ler uma opinião sobre o Alma Rebelde. A opinião é simpática, parece-me... hummm, mas começa assim:

"Em primeiro lugar devo dizer que seria pouco provável que me propusesse ler este livro, com uma capa que remete para universos que não frequento, de romantismos de revistas de telenovela. Preconceito, dirão. 
A verdade é que o invólucro conta, o livro é um todo, por vezes um lindíssimo objecto , outras, não . Há capas que afastam de imediato certo tipo de leitor, o tipo que detesta que lhe digam é  pró menino ou p menina, no caso. A estas escolhas provavelmente  presidem razões de mercado, que colocam nas prioridades do editor vender a um mais vasto grupo de leitores, o que no contexto actual até pode ser entendível. Pela mesma razão que leva alguns a cheirar a  fruta antes de a comer,  vale a pena ler umas páginas antes de nos decidirmos pela leitura."

Pouco importa aqui que seja sobre a minha capa, podiam ser muitas outras dentro do género . um género mais apelativo à leitora do que ao leitor, embora me ofenda um pouco a referência a "romantismos de revista", etc. Vá lá, não me parece que, pelo que escreve, a leitora tenha mantido essa opinião pré-leitura. 

Mas o que aqui levanta a questão, que já tantas vezes me fez reflectir, de que "os olhos também comem". Também eu fui muitas vezes atraída pela capa e pelo título, umas para ficar por vezes satisfeita, outras não. E terei deixado de parte livros que me agradariam, se os tivesse lido, porque a capa e / ou o título não me seduziram.

O que é certo - e sei-o agora por experiência própria - é que títulos e capas são, em grande parte, responsabilidade dos departamentos gráficos e comerciais das editoras, que são acima de tudo negócios e têm como objectivo vender o livro. É natural - não quer dizer que seja sempre agradável para o autor - que associem o livro a um determinado público, e que procurem uma capa e título que a ele possa apelar. No meu caso, pude ver a capa e 'aprová-la' antes de ser definitiva. Gosto dela, confesso, é luminosa e simples, embora para alguns possa sugerir outras coisas menos simpáticas. É natural, os nossos critérios são todos diferentes. Quanto ao título, foi ao contrário - fui que quem fez aí um milhão de sugestões, algumas de que gostava muito mais do que deste, por serem mais poéticos e menos 'novelescos'. Entendo, porém, a escolha da editora, que respeitou os meus pedidos para não utilizar determinar palavras.

Talvez nos caiba a nós, leitores, ser menos preconceituosos e dar uma oportunidade ao livro, como aliás esta leitora também refere, lendo pelo menos alguns parágrafos ou páginas, em vez de serem as escolhas que são essencialmente da editora nos roubem algumas leituras agradáveis. Pessoalmente, tenho pena que algumas pessoas possam não chegar a avaliar o texto do meu livro por si, e não pela capa. E gostar, ou não.
 
 

2 comentários:

Ana C. Nunes disse...

Eu nunca julgo uma capa só pela capa e/ou título.
Leio sempre a sinopse, algumas opiniões de pessoas em cuja opinião respeito e, se possível leio um excerto antes de comprar. E mesmo assim de vez em quando leio algo mau.

Mas, claro, como quase todos os leitores, existem capas que me chamam mais. Não tanto os títulos (embora tudo o que tenha "amante", "amor" ou "morte", "assassino" e coisas que tal, me deixem de pé atrás), mas as capaz sim são um chamariz. Mas nunca comprei um livro baseada só na capa ou título (pelo menos não que me lembre).

Quanto ao "Alma Rebelde", o título é um bocado limitativo, sim, mas não é mau. E gosto da capa porque, como disseste, é muito luminosa. Mas gostos são gostos.

Olinda P. Gil © disse...

Confesso que me atraem capas do tipo das antigas edições de autor do Miguel Torga, ahahhah

Adoro a capa do Alma, gostava de ter uma capa assim para o Sudoeste