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segunda-feira, 7 de maio de 2012

Os Ossos do Arco-Iris - David Soares


O livro é constituído por pelo menos duas histórias: li a primeira, O Cara-em-Obras, e abandonei na segunda, depois de cerca de 20 páginas.

Apesar da crueza de linguagem e da brutalidade das situações de carácter sexual, que são marcantes e nunca inteiramente normais nos dois textos, a primeira história introduz logo à partida um elemento fantástico muito interessante, que nos conduz através da leitura de todo o conto, imprimindo um caráter surreal a situações que, de outra forma, se tornariam excessivas. Pisquei perante algumas frases para maiores de dezoito, e fiquei profundamente chocada com o desprendimento com que o autor narra cenas de grande bizarria sexual (incesto, violação, desvios comportamentais de natureza estranhíssima), mas faz tudo parte de um todo, e o todo é bizarro, no bom sentido. Confesso que li esta história dividida entre a repulsa e o fascínio, mas a escrita é boa - embora muito, muitíssimo cru, como disse, na linguagem sexual, fala-se de f****, e não de fazer amor, etc - e a leitura acabou por ser compulsiva.

A segunda pareceu-me desiquilibrada desde o início. Imagino que exista alguma investigação por trás da premissa, sobre lendas do Haiti, com zombies, não sei... mas misturá-las com uma sueca de dois metros que vai ensinar numa prisão, com um namorado português, um cão-lobisomem enciumado... não me fascinou, e desisti no momento em que o cão acabara de arrancar as goelas ao dito namorado num aquário de lisboa (?), e começava a transformar-se em lobisomem. Gosto do fantástico, mas mesmo assim...  

Não é para todos, e vou hesitar muito em voltar a pegar no autor, sobre quem tinha grande curiosidade. Gostei da sua vertente do fantástico, mas não da sua vertente distorcida do real. Serão todos os seus livros assim?

2 comentários:

p7 disse...

Este também foi o primeiro e único livro do autor que li. Confesso que o li até ao fim (acho que ainda tem um terceiro conto) graças a uma curiosidade mórbida, mas acabei meio dividida como tu. Ainda não me atrevi a pegar noutro livro dele. :P

Patrícia disse...

Eu li o "Evangelho do enforcado" e gostei imenso.
Estou cheia de vontade de voltar a ler David Soares (se bem que provavelmente não vá escolher este livro.... acho que prefiro o "A batalha").

O Evangelho do enforcado tem algumas partes bastante rebuscadas e, apesar de toda a história que contém, é um livro do "fantástico" . Eu gostei imenso.
Confesso que o tive que ler com o dicionário ao lado e houve uma palavra (hei-de reler o livro só para a encontrar) que não constava sequer do "priberam".

A sério, acho que devem dar outra oportunidade ao escritor.
Boas leituras