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sábado, 28 de janeiro de 2012

Uma pergunta interessante...

... que descobri no blogue Cantos Quebrados:


O que é preferível num livro, uma boa história ou uma boa escrita?

Será que uma boa história sobrevive sem uma escrita no mínimo razoável? E será que a boa escrita consegue fazer viver um romance, mesmo sem uma história consistente a suportá-lo? O que é uma boa história? E uma boa escrita?

12 comentários:

Ana C. Nunes disse...

Acho que nenhuma funciona sem a outra.
Já li livros com uma escrita bélica mas que me aborreceram de morte e também livro com boas histórias mas uma narrativa atroz.
Por isso o equilíbrio é a chave da questão.

P.S.: Julgo que a pergunta não foi colocada pelo blog "Cantos quebrados" (que apenas a adaptou) mas sim do blog "Booking through Thursday"

Carla M. Soares disse...

É provavel que tenha atribuido mal o crédito (e peço desculpa) mas foi lá que a encontrei. E concordo contigo, nenhuma sobrevive bem sem a outra - é preciso uma história para que a escrita viva, mas nenhum história sobrevive num texto mal escrito.

Miguel Pestana disse...

Nunca tinha pensado sobre o assunto.

Há escritores que de uma história banal, mas com uma escrita criativa, com rasteiras persuasivas, são capazes de tornar uma história vulgar, num grande livro.

André Nuno disse...

Carla,
não sei bem como escolher exclusivamente alguma das hipóteses. Qualquer uma delas levada ao limite tornaria impossível gostar de qualquer livro.
Vou subverter a questão...
é "pouco possível" gostar de um livro muito mal escrito ainda que com uma boa história e "mais possível" gostar de um livro muito bem escrito com uma história muito fraca.
Assim sendo parece-me que a técnica é determinante.
(Daí também o meu problema com as más traduções que me estragam livros até com boas histórias)

;)

p7 disse...

Comigo acho que é um balanço entre os dois... uma boa escrita não funciona para mim se a história não for cativante. Por outro, se a escrita for atroz (ou a tradução for péssima, como mencionou o comentador anterior), não consigo entrar na história, por melhor que ela seja. Prefiro que as duas estejam equilibradas. :)

teresa dias disse...

Seja de quem for, a pergunta é excelente.
Para mim o ideal é o dois em um - óptima história e óptima escrita - mas por vezes deparamo-nos com livros extraordinariamente bem escritos e com histórias pouco consistentes. O que eu prefiro mesmo é uma boa história e "desculpo" a má escrita, apesar de por vezes arrepiar.

v_crazy_girl disse...

Esta é uma pergunta complicada!
Como todos dizeram o equilibrio entre ambas é a chave!
Mas se tivesse mesmo que escolher entre ambas diria escrita. Eu se a escrita é fraca, mesmo com uma história mirabulante, não consigo aproveitá-la como deve ser... Além disso tenho a sensação isso faz com que a qualidade da própria história piore. Eu gosto de me sentir como parte do mundo que leio e se a pessoa não sabe escrever, a história pode ser excelente, mas pode não me "puxar".

Cristina Torrão disse...

Uma pergunta muito pertinente. Eu não concordo inteiramente com as opiniões já expressas, porque tudo isto passa também pelo conceito de boa escrita. Há pessoas com uma imaginação fantástica, mas sem jeito para "floreados" de escrita. Por exemplo: ninguém contesta que as histórias do Harry Potter são boas, o enredo é de fazer inveja a qualquer um. Mas pode-se dizer que esses livros estão bem escritos? A J.K. Rowling escreve textos literários? E só é boa escrita aquilo que é literário?

Na minha opinião, a imaginação capaz de engendrar uma boa história, mesmo que a pessoa não tenha jeito para uma escrita muito literária, deve ser valorizada. Claro que a escrita deve ser compreensível e coerente, sem erros, para que a história seja bem transmitida. Mas eu acho que a tradição europeia desfavorece o aspecto da imaginação, para exaltar a chamada escrita literária, mesmo que esta produza enredos fracos.
A tradição americana já dá mais valor a uma boa história. Sol Stein diz algo do género: se quiser ser escritor, das duas uma: ou tem uma imaginação prodigiosa, para que os leitores se agarrem à história, sem perceberem a sua incapacidade para construir metáforas; ou sabe brincar tão bem com as palavras, que o leitor se delicia na sua escrita e nem se apercebe de que o enredo é pobre.

Combinar as duas coisas, já acho mais difícil. Mas é claro que também há génios!

Carla M. Soares disse...

A questão talvez esteja, de facto, no que pode considerar-se a boa escrita. Concordo que há uma certa tendência europeia para valorizar uma escrita mais elaborada e "pesada", para previligiar a erudição em detrimento da capacidade para contar bem uma história, seja ela mais ou menos inovadora. A linguagem - vocabulário, organização frásica, uso de recursos expressivos, etc - não é A escrita, é UM dos seus elementos, como são, por exemplo, a criação de situações de interesse, a gestão da informação e do suspense, o doseamento da descrição, ação e diálogo, etc. Pouco há a fazer, mesmo por uma excelente ideia, se estes elementos desapontarem ou, admito, se se pontapear gramática e ortagrafia a torto e a direito. Uma história simples em que todos estes elementos sejam excelentemente geridos pode ser interessante - sobretudo se o escritor criar persoanagens sólidas, uma vez que muitas vezes sãpo elas que transportam a narrativa às costas.
Não salva, claro,uma história inexistente!

Cristina Torrão disse...

É verdade, uma excelente ideia não chega, se o enredo é mal gerido. E é aí que entra o tal escrever e reescrever. Há pessoas com talento que desistem depressa demais, ou se aborrecem de estar sempre a "bater na mesma tecla".
E as personagens sim, sem dúvida, nada me irrita mais num romance do que deparar com personagens que agem gratuitamente, apenas porque sim. São elas que devem carregar a narrativa e, não, o contrário.

djamb disse...

Quanto a mim, não vive um sem o outro.

Rita disse...

Também considero que é necessário um misto de ambos. Um tema interessante se não for bem utilizado, com uma escrita aprazível, perde o seu brilho. Tal como uma escrita muito boa, com uma história desinteressante, penso que não poderá agarrar o leitor...