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sábado, 19 de setembro de 2015

Fui, pois... e, ou me falha a memória, ou é muito diferente!

Fui, claro que fui ver The Scorch Trials! Levei os teens da casa, o mais novo satisfeito, a mais velha envergonhada por estar no cinema com dois dos dez ou quinze adultos (digamos maiores de 40, pronto) na sala cheia.

O filme é sempre a abrir, como o livro, e adorei - não me batam, já sabem que I'm a sucker por filmes destes, parte de mim não cresceu completamente. Deixem-me estar. 

Li os livros (o segundo e o terceiro) e é em parte por isso a minha curiosidade. Apeteceu-me reler, porque, ou me falha aqui qualquer coisa, ou o filme The Scorch Trials é muito diferente do livro The Scorch Trials. Estão lá os os elementos essenciais - os outros imunes (ou não) dos restantes labirintos, a Wicked, o Flare, os Cranks, as novas personagens, a longa caminhada através do Scorch para a montanha e os relâmpagos, e há uma linha muito geral que é seguida. Mas... e é possível que esteja esquecida... mas tinha ideia de que, atenção SPOILER, o Scorch Trials ainda era uma "prova", como os labirintos, destinada a testar os imunes e compará-los aos outros...  No filme não é, ou até mais ver não é. Isto muda um bocado o espírito da história, creio. Se calhar vou mesmo ter de reler.

Há também vários aspectos que me pareceram diferentes, como o que se passa antes da fuga, a própria fuga - senti falta de alguns detalhes acerca dos quais estava curiosa - o deserto, que no livro é mesmo ardente ao meio dia, tanto que mal se suporta... A forma como se encontram com o pessoal nas montanhas e o próprio pessoal nas montanhas, a forma como vão tomando conhecimento da realidade e da não-imunidade de alguns... e a Brenda, que, SPOILER, tanto quanto me lembro, nunca foi infectada no livro. Será que estão a preparar-se para mudar radicalmente o fim? Continuo a achar fraquíssima a presença da Theresa (actriz que a teen da casa adora, por conhecer de uma série chamada Skins, sendo que do protagonista nem se fala, claro!). É supostamente o interesse amoroso do protagonista, e embora isso seja menor, e muito bem, mal se percebe, Tem pouco destaque na relação com os outros, embora mais do que no anterior, em que foi pouco mais do que um acessório, o que, para mim, SPOILER, serve mal a impressão de traição no final do filme. Veremos o que vem aí. Não sei se será de propósito, mas a Brenda tem mais tempo de antena do que ela, e como se perde a vertente da telepatia entre Thomas e Theresa que há no livro(e ainda bem, detesto)... 

Seja como for, segundo o outro adulto, "isto como filme de acção está fixe, nunca pára" e "a história é muito melhor que as outras que andam aí, Hunger Games e detergentes..." o que é um elogio grande, se tivermos em conta que este mesmo adulto não é nada apreciador de distopias. Eu sou, e nada fiável na apreciação destas coisas... Creio que já por aqui disse que me apetece muito escrever uma? Vai chamar-se Lisboa Submersa e passar-se, adivinhem onde? Em Lisboa, em 2058 ou assim, num pós tsunami / terramoto global /subida brusca do nível do mar... Que tal? Eheheheh.

Quanto ao filme... vou reler o livro assim que puder, até me apetecia listar as diferenças. E, porque gostei realmente e acho o actor principal muito credível, vou de certeza ver os restantes filmes! Parece que o próximo é só em 2017...?

Uma nota: revolta-me esta mania de dividir o último livro de cada série em dois filmes (plim-plim-plim, ouvem-se as moedas as cair). 



quarta-feira, 10 de junho de 2015

Mad Max - Fury Road. Gostei muito... mas porquê?

Já não esperava ir ver este filme ao cinema, o que quer dizer que já não esperava ver este filme de todo, porque o insiro na categoria dos que, a ser vistos, devem beneficiar da grande tela. E é mesmo assim.

Não há grande coisa a dizer sobre a história em Fury Road. É linear e dentro do que costuma ser habitual nestes filmes - começamos com uma situação terrível, e depois há fuga, salvamento, perseguição, vitória. Estrada, estrada, estrada (ou condução, condução, condução, que estradas não há), morte, morte, morte. Temos a nossa heroína badass e o lone boy, ambos assombrados pelos respectivos passados, temos as donzelas para salvar, que, num filme de 2015, não poderiam ser inteiramente indefesas, nem salvar-se todas, temos o grande vilão, mesmo, mesmo mau, e os seus cúmplices, e o pequeno vilão que se converte e passa a herói. 

Até aqui, teria todos os motivos para não gostar do filme. Não há nada que escape aos clichés do género... não sei, aliás, se há muito no filme que lhes fuja. Então porque é que eu gostei tanto dele?

Em primeiro lugar, porque não creio que tente escapar a cliché nenhum. Assume o género e representa-o, levado ao extremo. Não brinca consigo próprio, simplemente afirma: sou isto. Em torno disso, retoma a distopia da série Mad Max com excelência, no horror desse nosso futuro violento e desertificado, em que a falta de água e a deformação física são omnipresentes. O combustível, que esteve no centro de outros filmes, serve aqui sobretudo como pretexto para a fuga inicial (faz sentido em 2015, quando a preocupação é sobretudo com o destino e natureza do Homem e com a água) mas os veículos automóveis continuam a estar no centro da acção, com transformações brutais, que me fizeram sorrir muitas vezes... por exemplo, o enorme veículo de guerra com o monstro-rocker na frente, como num palco, a tocar guitarra eléctrica durante toda a perseguição. Bela piscadela aos anos 80! 

O armamento é escasso, a tecnologia nula mas a imaginação não, e tudo tem um feeling bárbaro e enlouquecido, única possíbilidade num mundo sequioso, escravizado e deformado por radiações e doenças. Poucos são os que não sofrem de uma qualquer deformação, incluindo o Imortan - o vilão escravizador - cujo harém de parideiras perfeitas, que podem dar-lhe os bébés perfeitos, Furiosa ajuda a escapar. É quase caricatural, esta distopia, e isso agrada-me.

Em segundo lugar... é impossível não respeitar Charlize Theron. Impossível. A mulher é camaleónica. Sendo belíssima, é capaz de se fazer feíssima, como em Monster, ou, como aqui, ser lindíssima na sua imperfeição. De cabelo quase rapado, maneta, e dura, protectora, intensa, feroz, ferida por dentro, incapaz de um sorriso... Furiosa. Luta como qualquer homem, porque não há concessões sexistas aqui, felizmente, e é a fúria do título e a do filme. Tom Hardy, Mad Max, complementa-a muito bem. Para além de ser mesmo bonito (quase tanto como Mel Gibson era no primeiro Mad Max), o actor tem a aura adequada de bad boy solitário, com uma figura intensa, e aguenta muito bem, claro, o aspecto físico. Nicholas Hoult, decerto já habituado a fazer de monstrinho pálido e canibal, está bem na sua transição de vilãozinho a herói (e a minha filha exclamou "fixe!" quando ele apareceu). Achei interessante que o grupo que, no final, combate e vence o vilão tivesse apenas dois homens, e que a maioria das mulheres desse grupo já tivesse passado há muito os verdes anos. 

E a acção? perguntais. Então e a acção?

Pois é, a acção. A acção! A coisa arranca depressa e já não pára. Não há tempo para respirar. As sequências são brutais, em todos os sentidos. São rápidas, espectaculares e violentas. Não poupam ninguém, nem grávidas ou velhinhas. E é por isso que este filme, a ser visto, tem de sê-lo no grande ecrã, para se poder usufruir de toda a espectacularidade das cenas de perseguição e batalha, e das inevitável mortes horríveis. Não há muito tempo para nos arrepiarmos: a grávida acabou de ficar debaixo de um veículo? Dois segundos depois, já estoira uma bomba de fogo sobre o motor do camião em fuga e logo a seguir há tiros dentro da cabina e ao mesmo é preciso alguém ir à parte de trás soltar o depósito de "guzolina"... É um exemplo, lembro-me lá eu, no meio de todas as sequências de acção, se a ordem é mesmo esta!

É também um filme sobre desespero e esperança, o que, ao fim e ao cabo, acaba por ser um belo cliché para este cliché tão bem montado e assumido! Não faço ideia se é um grande filme ou uma treta, nem isso me importa. A mim, encheu-me as medidas, sobretudo por ser apenas o que é, sem pretensões. E ser brutal.

Nota: Devo esclarecer, como fiz num comentário, que o filme me encheu as medidas dentro do género, claro, essencialmente como filme de entretenimento (e creio que é isso que se pretende). Reconheço-lhe muitos méritos, mas isso creio que ficou claro no texto. 

sábado, 29 de novembro de 2014

Também fui... (Mockingjay, parte 1)

Hoje fiz como todos os adolescentes e enfiei-me numa sala de cinema a deitar pelas costuras, para ver Hunger Games - Mockingjay. Fui com o meu rapaz de 12 anos, a rapariga de 15 foi à mesma hora a outro cinema com as amigas... ver a mesma coisa!

Passemos adiante dos putos que não se calavam e das risadas em momentos em que não faziam sentido e admitamos: sim, diverti-me muito. Tinha visto os outros filmes, lido o terceiro livro, e estava um tanto irritada com esta moda de olho no lucro, que leva à multiplicação dos filmes (um Harry Potter a mais, um Hunger Games a mais, dois Hobbits extra...). Tinha sérias dúvidas quanto a esta divisão, ainda que o próprio livro pareça dividido em dois, que na verdade correspondem mais ou menos à divisão que fizeram no filme... mas o livro não é imenso, como o Deathly Hallows, nem tem imensa obra a suportar invenções, como o Hobbit.

Durante o filme, porém, mal me lembrei disso. Teria dispensado um ou dois momentos mais parados, como por exemplo a suposta caçada à superfície, e a quantidade de discursos da Presidente(?) do Distrito 13, mas mantém-se bastante colado ao livro, o que neste caso é bom, tem bom ritmo, a Katniss mantém-se fiel a si mesma e não, não se tornou de repente simpática, nem uma heroína natural, houve acontecimentos entusiasmantes, sente-se finalmente o princípio da rebelião e houve dois momentos que me comoveram (nenhum com ela, ambos de sacrifício de um grupo em nome da causa, mas mais não digo para não causar já aqui um SPOILER) e o filme passou a correr. Tenho ouvido críticas a inexpressividade da actriz das quais discordo - essa contenção faz parte da personagem, que mal quer sentir, quanto mais deixar transparecer.

Não fiquei extasiada nem o esperava, mas saímos os dois satisfeitos, eu e o rapaz. Fui à procra de um momento bem passado, e foi o que obtive. Espero que se mantenham fieis também no último filme e não poupem personagens para pouparem o espectador - porque se houve coisa de que gostei neste último livro, o único que li, foi dessa espécie de implacabilidade: tanto se mataram "maus", como "bons". Veremos.

domingo, 21 de setembro de 2014

Cinema e o inevitável

Lá usei outra vez os miúdos como pretexto (mentira, não preciso dele) para entrar num cinema cheio de gente de todas as idades e ver o filme YA do momento, The Maze Runner. 

Não li o livro, pouco sabia da história a não ser o que o próprio título revela, que há jovens correndo por um labirinto. Sei que a trilogia é um sucesso mas é só. Não vou por isso tecer comparações livro-filme... nem com outras trilogias(+1) de filmes YA distópicos que ainda estão por terminar. Acho que tenho um gene que impede parte de mim de crescer ou amadurecer, o que queiram, por isso creio que este tipo de filmes ainda há de agradar-me aos 80. Felizmente!

O filme não está com introduções, atira-nos de imediato com Thomas para dentro do Glade (o centro verdinho do labirinto) sem sabermos de nada, e depois disso é rápido e, como não podia deixar de ser, um pouco negro. Há imensa testoterona jovem, claro, mas também o pivete a medo e isso tem o resultado prevísivel entre rapazes adolescentes: amizades e alianças aparentemente inquebráveis, mas também disputas e rivalidades. Tudo isso empalidece face à verdadeira ameaça, o labirinto sem saída e com terríveis perigos, sobretudo nocturnos, e a grande incógnita que é o motivo porque ali se encontram, sem memória senão a do seu próprio nome. A sobrevivência obriga a certa dureza e sobrepõe-se à amizade, quando é necessário. Há morte também, portanto. 

Thomas mostra-se diferente, mais curioso e vem, claro, abalar a rotina mais ou menos segura desta espécie de prisioneiros. Depois chega uma rapariga, a primeira e única e, embora a sua presença feminina não perturbe os rapazes porque não há tempo para isso,  Thomas e Teresa representam alterações inesperadas no sistema e também no labirinto e os acontecimentos precipitam-se. O perigo transborda para dentro do Glade.

Não ofereço mais detalhes, era disparate. Gostei do filme, como calculava que gostasse, com excepção de um pequeno discurso motivador de Newt que me soou a treta e é demasiado cliché. Dou o desconto de cartão jovem. Há  outros clichés, mas heróis são heróis e neste filme também temos o novato que acaba por se tornar o lider, nada de novo... mas creio que por vezes é mesmo o sangue novo que faz arder o antigo, e aqui até há um motivo sobre o qual, evidentemente, não vou elaborar. As personagens não têm muito espaço para se desenvolverem, mas o conceito geral está interessante, o filme não aborrece, pelo contrário (pelo menos a mim) e desperta curiosidade para mais. Bom entretenimento.

Agora acontece-me o inevitável - se os filmes se baseiam numa série e não terminou a história, quero saber mais. O provável? Vou acabar por ler os livros restantes num instantinho ali mesmo no meu kindle e a adolescente em mim vai ficar satisfeita. Vou lendo outra coisa em simultâneo e a mulher adulta será, como é sempre, compreensiva.