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sábado, 26 de julho de 2014

Em revisão - apresento-vos o Corvo

Prosseguindo a revisão de A Grande Mão, à página 48 (A4), Noam está prestes a meter-se em (mais) sarilhos... Apresento-vos o Corvo e o seu bando.




http://tattooingtattoodesigns.com/gallery/tattoo-images
Quando passaram por ele, pode ver por fim com clareza o seu aspeto. Ostentavam expressões de satisfação agressiva, realçada pelo cabelo inteiramente rapado em todos menos no último, o único silencioso, que ostentava a meio do crânio, como uma crina, uma fita de longo cabelo negro. Todos traziam o tronco nú e os ombros cobertos por uma capa escura que lhes descia até aos tornozelos. Prendiam-na sobre o peito com o curioso alfinete de ferro que Risa descrevera, com o formato de uma ave cujo olho de esmeralda brilhava à luz da tocha, parecendo fixar um ponto na noite. Debaixo da capa do segundo homem espreitava o contorno de uma cobra negra, que se alongava pela pele do estômago, subia pelo ombro e repousava a cabeça achatada junto ao pescoço, a língua bifurcada lambendo uma argola de ouro no lóbulo da orelha esquerda. Movimentava-se ao ritmo exato do seu dono. Noam arrepiou-se e estreitou os olhos para ver melhor. A boca abriu-se-lhe de espanto: a serpente era um desenho perfeitamente realista, uma marca imposta a si próprio pelo homem que a ostentava. Atentou nos outros. Todos tinham pelo menos uma dessas gravuras tatuadas sobre a pele, no tronco, nas pernas, mesmo no rosto. O esboço de um par de asas pretas enfeitava o caminhante silencioso como uma máscara. Sobre os seus olhos severos não havia um par de vulgares sobrancelhas, mas as asas de uma ave, que se estendia pelo nariz e sob ele num corpo esguio e numa cauda fendida na ponta sobre os lábios, de modo que era impossível determinar ao certo que idade teria o homem ou como seriam as suas feições. Caminhava como um espectro, apesar da sua altura e da musculatura densa que se adivinhava sob o tecido escuro.  

terça-feira, 15 de julho de 2014

Revisão de texto? Pois é...

... de repente, vejo-me de novo a rever A Grande Mão, o texto de fantasia que tinha há muito posto de parte. 

 Descobri que, em Calibri 11, espaço e meio, tem de momento 379 páginas, 154.446 caracteres. No fim serão mais ou menos? terei muito para cortar ou, pelo contrario, acabarei por acrescentar? Coragem, coragem... Para me empurrar, ver se isto passa de caracol a cruzeiro, fica um excerto do início do texto.


A ave em voo em céu de safira
O monstro que se esconde
No mar profundo e escuro
A fera no interior da floresta
O réptil rastejando no deserto
Nenhum é Homem nenhum traz
A espada luminosa no punho
Com um mistério dentro do peito
E o frio medo por trás ds olhos

A intenção na presa o coração na caça
Feroz a clara idea a força vencedora

(Excerto de A Lenda da Grande Mão)


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Capítulo 1.
  

Nolan equilibrou-se afastando as pernas e puxou a rede velha pela terceira vez nessa manhã, olhou para ela e soltou um palavrão irritado. 
Outra vez vazias! Porcaria de buracos!
Observou um único peixe, uma coisinha insignificante que se debatia para libertar o corpo luzidio das malhas que o prendiam. Sentiu-se, por um momento, tão enrodilhado como ele. Não gostava de pescar nem sabia fazê-lo com redes rotas, mas a tarefa fastidiosa cabia‑lhe, dia sim, dia não. Dia sim, dia não, não havia peixe para ninguém.
- Tu não tiras a fome a ninguém, bicho. Vai à tua vida.
Desembaraçou o animal dos nós e, com um suspiro resignado e um ligeiro arrepio, devolveu-o à água. Nunca ficava com o que não pudesse comer. Sentou‑se, sentindo a pequena vida formigar nas pontas dos dedos e um peso nas pernas, a pedra a pulsar junto ao peito, suspensa do gasto cordão de cabedal onde a trazia, o cansaço familiar da decisão sobre a vida ou a morte. Sucedia-lhe ao esmagar inadvertidamente um insecto, ao poupar a vida a um pardal, sempre que a sua flecha trespassava o coração de um cervo inquieto ou a pele dura de um javali. Sentia a vida do bicho correr-lhe nas veias, e a pequena pedra trabalhada, cujas inscrições não compreendia, aquecia, às vezes até quase lhe queimar a pele, emanando uma energia de vida e morte. Já desistira de perguntar-se porquê e aceitara que era tão seu quanto os caracóis na cabeça ou as unhas roídas nas pontas dos dedos. Respirou fundo e voltou a lançar a rede, protestando entre dentes:
- Só o idiota do Tullock é que pode achar que isto é uma arte!

sábado, 1 de junho de 2013

Correu mesmo mal

A propósito de um pedido de leitura beta que tem circulado, lembrei-me de uma coisa a que me propus há algum tempo, mas que falhou redondamente nos seus objectivos.
 
Disponiblizei, no Verão, um livro meu de fantasia, para download. Chama-se A Grande Mão e tem uma série de capas miseráveis feitas por mim no photoshop com fotos tiradas por mim. Esta é uma delas. Seguindo o link está outra quase igual. Eh.
 
A intenção era fazer assim uma espécie de leitura beta, mas mais descomprometida. Foram feitos muitos downloads e, mesmo considerando que alguns leitores poderão ter apagado depois o ficheiro, alguns o terão ainda. Desejava receber algum feedback, saber se o livro no geral agradava e que aspectos ainda precisavam de trabalho. Cheguei a ter um separador no blogue para comentários rápidos, e a disponibilizar o meu email se quisessem detalhar mais.
 
De início, tive esperança que eles, os feedbacks, fossem chegando, nem que fosse sob a forma de estrelinhas, uma duas, cinco, sei lá, no GoodReads. Obtive um total de... cinco, e um deles até é anterior à última versão, é de um draft ainda mais rude. Estou muito grata às leitoras que se deram ao trabalho de ler o texto completo no computador, e de me dizer de sua justiça. A Rute, a Patrícia, a Olinda e Clarinda gostaram, a Sandra nem por isso - e disse-me logo que não era nada o género dela.  
 
Ler no computador é aborrecido e cansativo, ler um livro com gralhas e imperfeito ainda é pior, sobretudo quando todos os dias são lançados livros maravilhosos, em papel, devidamente revistos,  limpos, trabalhados pelas editoras, com bonitas capas. Por isso, entendo perfeitamente que tenha caído no esquecimento, ficado permanentemente adiado - nem acho que seja por mal. Claro que não. Como escritora, tenho pena, claro, as opiniões são importantes, as sugestões sobre o que fazer com o texto também.
 
Tenho que ser objectiva na avaliação da iniciativa, e dizer que essa "leitura beta" não correu nada bem. Tanto que até me tinha esquecido dela. Talvez um dia o livro seja editado em papel, talvez nunca. Talvez não chegue a ser lido por mais ninguém que não me conheça pessoalmente. Paciência, não me zango. Mas já não repito, isso não. É frustrante.