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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Cidade Mulher

Atracamos hoje descalços quase nus
é dia de calor abrasador no cais
um rio cintila como jóia entre seios
de uma mulher bela no seu cabelo prata
estende braços lisos sobre as esquinas
coxas pétreas antigas muito quietas
de veios finos incertos como ruas
para o centro, o centro branco ali mesmo
uma praça aberta ao mundo inteiro
útero de maravilhas de pedra e sol
e viagens de navios de pau e coragem
mulher elegante na largura do caminho
mais adiante será curva e escarpa
beco e tasca e sacada em sacada
escura e torcida velha vizinha azeda
Viemos saber quem era esta mulher
de alma de velha em corpo de menina
voz rouca de fado e brado de varina
para aprender as rugas da sua pedra
na nossa pele de por dentro viajantes



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