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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

musa(s)

Reciclagem de um post antigo - hoje não estou nada cansada, estou de férias e acabei de ver o genial Guardians of the Galaxy, duas horinhas de entretenimento como há muito não tinha! No dia do post original pelos vistos, estava de rastos.  Bom, cá fica. 

Estou hoje demasiado cansada para me aborrecer. Peguei outra vez, por isso, no meu velho caderno de poemas, os únicos que alguma vez escrevi [isto também já não é verdade]. E dei com um, que na época dediquei a um outro, Musa, de Sophia de Melo Breyner. Escrevi-o em 1989, tinha 18 anos...

O original, da Sophia:

Aqui me sentei quieta
Com as mãos sobre os joelhos
Quieta muda secreta
Passiva como os espelhos.

Musa ensina-me o canto
Imanente e latente
Eu quero ouvir devagar
O teu subito falar
Que me foge de repente

e a minha brincadeira:

Aqui me sentei inquieta
num espelho de palavras feito,
agora eu sou a musa digna
e os joelhos são o meu leito.

Deito-me ao canto lentamente
e ouço-o de dentro do rio,
o meu espelho fugidio
e mais que tudo, derrepente,
sou eu a musa ardente.

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