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terça-feira, 15 de julho de 2014

Revisão de texto? Pois é...

... de repente, vejo-me de novo a rever A Grande Mão, o texto de fantasia que tinha há muito posto de parte. 

 Descobri que, em Calibri 11, espaço e meio, tem de momento 379 páginas, 154.446 caracteres. No fim serão mais ou menos? terei muito para cortar ou, pelo contrario, acabarei por acrescentar? Coragem, coragem... Para me empurrar, ver se isto passa de caracol a cruzeiro, fica um excerto do início do texto.


A ave em voo em céu de safira
O monstro que se esconde
No mar profundo e escuro
A fera no interior da floresta
O réptil rastejando no deserto
Nenhum é Homem nenhum traz
A espada luminosa no punho
Com um mistério dentro do peito
E o frio medo por trás ds olhos

A intenção na presa o coração na caça
Feroz a clara idea a força vencedora

(Excerto de A Lenda da Grande Mão)


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Capítulo 1.
  

Nolan equilibrou-se afastando as pernas e puxou a rede velha pela terceira vez nessa manhã, olhou para ela e soltou um palavrão irritado. 
Outra vez vazias! Porcaria de buracos!
Observou um único peixe, uma coisinha insignificante que se debatia para libertar o corpo luzidio das malhas que o prendiam. Sentiu-se, por um momento, tão enrodilhado como ele. Não gostava de pescar nem sabia fazê-lo com redes rotas, mas a tarefa fastidiosa cabia‑lhe, dia sim, dia não. Dia sim, dia não, não havia peixe para ninguém.
- Tu não tiras a fome a ninguém, bicho. Vai à tua vida.
Desembaraçou o animal dos nós e, com um suspiro resignado e um ligeiro arrepio, devolveu-o à água. Nunca ficava com o que não pudesse comer. Sentou‑se, sentindo a pequena vida formigar nas pontas dos dedos e um peso nas pernas, a pedra a pulsar junto ao peito, suspensa do gasto cordão de cabedal onde a trazia, o cansaço familiar da decisão sobre a vida ou a morte. Sucedia-lhe ao esmagar inadvertidamente um insecto, ao poupar a vida a um pardal, sempre que a sua flecha trespassava o coração de um cervo inquieto ou a pele dura de um javali. Sentia a vida do bicho correr-lhe nas veias, e a pequena pedra trabalhada, cujas inscrições não compreendia, aquecia, às vezes até quase lhe queimar a pele, emanando uma energia de vida e morte. Já desistira de perguntar-se porquê e aceitara que era tão seu quanto os caracóis na cabeça ou as unhas roídas nas pontas dos dedos. Respirou fundo e voltou a lançar a rede, protestando entre dentes:
- Só o idiota do Tullock é que pode achar que isto é uma arte!

2 comentários:

Patrícia C. disse...

:)
boa revisão

Anónimo disse...

Vamos lá, Carla!
Verão cheira a férias e em férias anda-se sempre em velocidade de cruzeiro :-)
Deixo-te um Bj para te dar energia! MC