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sábado, 8 de março de 2014

Não resisto

O meu filho perguntou à hora do almoço por que é que havia um dia da mulher e não havia um do homem. Ainda mal tinha acabado a pergunta e o meu marido já dizia, entre dentes, a rir-se:
- Vais arrepender-te de ter perguntado.
O meu marido conhece-me e sim, o meu rapaz arrependeu-se de ter perguntado. 

Expliquei-lhe que durante anos e anos, séculos, nenhuma mulher tinha os mesmos direitos que os homens. Nem ao voto, nem à propriedade, nem a decidir sobre si própria.  

Expliquei-lhe que mesmo no mundo ocidental ainda há diferenças, que as mulheres ganham menos e trabalham o dobro para ter a mesma posição, que para cada homem agredido em casa há dezenas de mulheres, que a responsabilidade de pais e filhos cai sobretudo sobre elas, mas que noutros lugares deste mundo é ainda pior. 

Disse-lhe que há lugares em que as meninas não têm direito à educação (viva Malala), que são vendidas para casamentos ainda em crianças, que, se contrariam a própria família ou a dos maridos, são agredidas, feridas, atacadas com ácido, apedrejadas. Que são violadas, por vezes por mais do que um homem, mas a culpa é delas perante a lei, e lugares em que são mutiladas nos genitais para assegurar que nunca terão prazer sexual, porque isso é sinal de devassidão...

E fui interrompida no meu discurso entusiasmado por protestos variados, de filho, filha, sobrinha. 
- Ó mãe, estamos a almoçar!
- Ó mãe, já percebemos! 

Calei-me, satisfeita, e bebi mais um gole de vinho, antes de, em conjunto com o meu marido e com os miúdos, todos eles, tirar a mesa. Porque cá em casa somos todos iguais, mas é bom que os filhos e principalmente filhas saibam que, infelizmente, ainda há razões para se lembrarem os direitos das mulheres. 


DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Movimento Feminista