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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Argo - Ben Affleck

 
Este filme de Ben Affleck tem sido reconhecido por toda a parte como um produto de qualidade, merecedor de elogios e prémios. Parecem-me justíssimos.
 
Depois da subida do ayatola Khomeini, a embaixada americana no Irão é invadida. Seis dos seus funcionários conseguem escapar e abrigamse na casa do embaixador canadiano. O filme mostra a operação (conjunta, USA e Canada) montada para extraí-los do país. Missão impossível? Esta, sem dúvida. Em desespero e sem soluções, Tony Mendez imagina um esquema que transforma o grupo de seis num movie crew canadiano à procura de um cenário natural adequado para um filme de ficção científica de série B -Argo, como em Jasão e os argonautas. Nos USA é montado todo um contexto, que inclui a compra do guião,  um escritório nos estúdios MGM (acho) e uma sessão pública de leitura que ganha espaço real na imprensa. Inclui também passaportes canadianos, com identidades e, claro, passados falsos para cada uma das pessoas a salvar - inventa-se uma argumentista, um realizador, etc. Montez entra no país sozinho, sai acompanhado, e fica-se com o coração nas mãos até o avião sair do espaço aéreo iraniano.
 
Há uma certa frieza e sobriedade, uma contenção tanto na narração como na própria representação que nos remetem para esse meio caminho entre ficção e realidade que advém  da reprodução de factos reais, provavelmente romanceada aqui e ali, mas construída com base no livro do principal interveniente, Tony Mendez. O filme tem ao mesmo tempo o ritmo e stress de um thriller (se é que podemos chamar-lhe isso) e a seriedade de um documentário. Absorvi com curiosidade a informação sobre os acontecimentos da época, pasmei com o arrojo e o engenho do esquema imaginado por Mendez, e depois com a sua sorte. E admirei o envolvimento dos canadianos que, sabe-se lá porquê, associo sempre a uma certa neutralidade e um certo afastamento dos americanos.
 
 

1 comentário:

Olinda P. Gil © disse...

Um selo para ti: http://www.olindapgil.com/2013/02/dois-selos.html