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sexta-feira, 11 de maio de 2012

Distante ou próximo? A propósito de um post...

do nlivros, O Valor dos Blogues,  a Paula, do Viajar pela Leitura, comenta:

Mais do que as editoras, há autores que ainda não se aperceberam do valor dos blogues! Acho até que muitos pensam que estamos aqui a brincar! Há tempos contactei dois autores que estão no auge da carreira, foram eles ******* e *******, para uma simples entrevista e a resposta que obtive de ambos foi a de não terem tempo. Ora, se não têm tempo para os seus leitores como vamos nós ter tempo para ler os livros deles??!! (a subsituição dos nomes por *** é minha, Não pretendo que a Paula se zangue comigo!)


Também no blogue Encruzilhadas Literárias, a propósito de outra coisa, se diz assim:

Numa era em que os autores mais jovens interagem bastante com os fãs, quer seja através de blogs como páginas do facebook, há sempre uma short-story para se ir lendo entre livros, há sempre um concurso para se participar e há sempre umas fotos para se ir vendo.


Num dos grupos do Facebook de dicados aos livros,, por outro lado, um comentário (não me recordo de quem) afirma que é bom ler um livro sem ter ideia nenhuma sobre o seu autor... o que implica distanciamento. 

Suscitou-me uma pergunta, dúvida de quem começa: o autor deve resguardar-se,  ser apenas uma ideia, um 'mistério' distanciado de quem o lê, a não ser em ocasiões especiais, ou estar aberto e acessível aos (possíveis, no meu caso) leitores? Reconhecer as suas opiniões, por exemplo.

Se calhar é uma questão retórica, se calhar já estou 'tramada', porque:
  • Acho que os blogues e redes sociais são muito importantes na divulgação dos livros e que as opiniões podem fazê-lo crescer ou afundá-lo, principalmente para um autor desconhecido como eu.
  • Não sou ninguém, mas, quer o meu livro tenha ou não sucesso, quer publique só este ou muitos, vou continuar a blogar, comentar, conversar, opinar, aqui, no goodreads, noutros blogues. Gosto, portanto... why not? 
  • Já estou 'por aí', tenho respondido sempre aos pedidos de entrevistas, comento nos blogues, etc... e aqui estou, até com esta dúvida. 
O que vos parece? 
A acessibilidade do autor, que se calhar o torna mais real e mais humano (no sentido de ser uma pessoa como qualquer outra, que come e dorme e etc) pode desvalorizar o seu livro, roubar-lhe mistério ou seriedade?

3 comentários:

Cláudia disse...

É interessante que isto seja referenciado, porque ainda ontem e a propósito das nossas deambulações pela Feira do Livro, comentava com a Catarina que é triste que por vezes os autores não sejam conhecidos, não o seu nome, mas a sua cara (e calculo que também por isso seja prática cada vez mais corrente a inclusão da cara do autor na nota biográfica de um livro). E isto porque ao passear pela Feira, é evidente muitas vezes a presença de autores em sessões de autógrafos quase vazias, e por vezes até mesmo sem ninguém, porque ninguém reconhece a pessoa que ali se encontra e se calhar acompanham a sua obra há uns tempos (salvo excepções claro, de quem há muito é conhecido na sociedade literária portuguesa).

Conhecer um autor, pode passar apenas pela relação cordial associada à recepção de uma opinião por parte do público, de interacção com o mesmo sem se imiscuir (ou tentar) nas decisões e gostos e opiniões pessoais de um leitor sobre determinada obra.

Talvez uma análise pormenorizada do porquê de se ter seguido determinada linha condutória no enredo não é tão importante como compreender, por exemplo, as personagens (e as camadas que as vestem e das quais só quem as concebe conhece).

Mas é importante exactamente pelo factor real, por criar um lado humano por detrás de uma capa de um livro. Embora, a meu ver, isso não desvalorize ou crie uma ligação directa com o interesse ou não de um livro (a não ser que faça muita questão de explicitar e analisar perante uma audiência todo e qualquer pormenor de construção do enredo contado. Até porque existem autores com visibilidade que admiro enquanto personalidades públicas mas de cujos livros não gosto, e vice-versa, há autores que considero bastante arrogantes e desagraveis, mas cuja obra se distancia em última análise da personalidade, e o que não me deixa de cativar.

Cláudia (Encruzilhadas Literárias)

Olinda P. Gil © disse...

Já somos 2 tramadas

Paulo Pires disse...

Na minha opinião de "blogger", é importante a associação da obra ao seu autor, nesse sentido, as obras apresentadas pelo nosso blog apresentam sempre a foto dos seus autores. Gosto de "conhecer quem leio". Não consigo perceber o distanciamento consciente de alguns autores!!! O blog deve ser visto como um meio de divulgação mais próximo, mais "intimo" junto dos seus leitores. Eu, enquanto leitor de blogs encontro nestes a cumplicidade espontânea que não encontro num texto milhares de vezes revisto com fins comerciais.

Paulo Pires