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segunda-feira, 12 de março de 2012

Sobre as brincadeiras favoritas...



Falava há uns dias sobre interesses, motivações e capacidades, com os meus alunos de nono ano que andam a tentar decidir o que fazer da vida. Uma aluna comentou que tinha sabido de um estudo que afirma que as nossas brincadeiras em criança dizem muito sobre as nossas inclinações futuras. 

Não sei se é assim, mas ri-me, porque me lembrei que, em criança, não gostava de brincar ao que os outros brincavam. O que eu gostava era de ler.

Aos seis, sete, oito anos, devorei os livros da Enyd Blyton, Os Cinco, as Gémeas, o Colégio das Quatro Torres, etc, etc, e uns livros da capa branca, americanos (Patrícia) que ainda sou capaz de reer com um sorrisito. 

Aos dez, onze, doze estava a ler tudo o que houvesse em casa dos meus pais. Julio Dinis (oh, céus, o que eu choramingava a ler aquelas desventuras de amor lamechas!). Julio Verne, tudo o que tinha dele, incluindo os três volumes da Ilha Misteriosa e o Raio Verde, que ninguém conhece!! Ainda gosto, confesso.Sherlock Holmes. As Mil e Uma Noites, sem autorização... oooh, senti-me uma menina terrível, tinha cenas para maiores de dezoito... vá, hoje em dia, para maiores de dezasseis.  
Houve uma primeira incursão pelo Servidão Humana que, sapateiro a tocar rabecão, achei que tinha percebido (coitada!!). Claro que quando reli, percebi que não tinha pescado nada daquilo, Deus meu, nadinha!! Só me lembrava que o moço era coxo e tinha tido problemas e mais problemas por causa disso... :P 
Também li a banda desenhada dos X-men, Mandrake e Fantasma que havia solta lá por casa...yey, o que eu gostava daquilo!


Na adolescência li tudo o que me caísse nas mãos, pouco importava o quê. Dos  livrinhos Bianca e Sabrina (arrrgghhh, shame on me!!) aos meus primeiros livros de fantasia da Marion Zimmer Bradley, aos Cem Anos de Solidão ao Adeus às Armas ao Inverno do Nosso Descontentamento... e Eça. 

Longa história, pois. Digam-me lá se a minha aluna não tinha razão!! E quantos destes não foram lidos, nas mesmas idades, mais coisa menos coisa, pelos que gostam de ler?

4 comentários:

André Nuno disse...

Carla,
já te li e voltarei para comentar como mereces... talvez amanhã.
Hoje estou numa correria daquelas!
:)

André Nuno disse...

Cá estou de novo.
Fazes aqui uma bela viagem pelas diversas leituras ao longo da tua vida. Os livros sempre fizeram parte dela porque são parte de ti, tal como são parte integrante da minha identidade.
As aventuras dos Cinco e dos Sete. O Clube das Chaves e Uma Aventura... foram as minhas primeiras leituras.
Rémi e o Fantasma de Collette Vivier, Mulherzinhas de Louisa May Alcott, Meu Pé de Laranja Lima - os primeiros a tocarem-me de forma profunda.
Passei por uma fase John Le Carré, Robert Gaillard e li muito Konsalik.
O Assalto de F.J. Wagner, um dos livros que marca a minha adolescência. Um livro soberbo.
Tive a minha fase Lawrence Sanders e Dennis McShade (pseudónimo de um escritor português).
Uma época que ainda durou bastante tempo foi dedicada ao esoterismo e espiritualisamo. Li imenso sobre Jesus, o gnosticismo, templários, Rosacruces e Budismo.
Tropecei em Eça e devorei quase todos os seus livros - falta-me a Cidade e as Serras.
Aparição de Vergílio Ferreira, O Livro do Desassossego do Pessoa e quase todo o Saramago.
Tive a época Dan Brown e José. Rodrigues dos Santos. Todo o Miguel Sousa Tavares e Domingos Amaral.
100 anos de Parvoíce do Garcia Marquéz e Insustentável Leveza do Kundera. Tive até a minha fase Paulo Coelho!
Murakami e Zafón. David Toscana e Pepetela e Mia Couto. Julio Verne, um pouco. Chimamanda Ngozy Adichie (escritora nigeriana fabulosa. Tem um vídeo soberbo no Youtube numa conferência sobre The danger of the single story - brilhante)
Paolini e Deborah Harkness...
Foram tantos!
Tudo isto para dizer que, sendo filho único, os livros foram - e são - uma das melhores companhias.
;)

Carla M. Soares disse...

Eu nem sequer sou filha única, mas preferi muitas vezes a leitura à brincadeira. Parei este meu relato nos anos da adolescência... e deixai tanta coisa de fora! Alguns dos livros que referes também li, numa ou noutra altura, embora nunca tenha lido nada de Konsalik, nem Dennis MacShade, nem dos outros que referiste com esses. Mas houve um que, na altura, me marcou (ali por volta dos dezassete), que foi o Siddartha do Herman Hesse. Não seria capaz de citar uma única linha, mas na altura foi importante.

Patrícia disse...

Olá Carla,
Revi-me tanto neste post! Com uma diferença (pequenina): eu gostava tanto de ler como de ir para a rua brincar. Tive a sorte de ter tido imensa liberdade e imensos livros à disposição- as minhas primas mais velhas eram as minhas "livreiras". Para além de ter lido quase tudo o que falas lembro-me com especial carinho de uma tetralogia cujo primeiro volume é "a pulseira misteriosa" e um dos outros é "O príncipe Eric" que adorei mas que nunca consegui ler o último volume. Ainda hoje quando vou a alfarrabistas o procuro.
E não tenho dúvida de que parte do que sou se deve aos livros que lia.
Tinha até um contrato com a minha mãe: por cada 5 recebia 2 livros, por cada 4 recebia 1, cada três retirava 1 livro à lista e um dois retirava-os a todos.
E lia e relia…
Boas leituras