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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Não é uma opinião, é uma desistência

É oficial. 
Por ora, ponho de parte O Tempo dos Amores Perfeitos. Seja porque não é o momento para ele ou porque realmente o progresso da trama não está a agradar-me, vou parar à página 40 e guardá-lo na estante, com a promessa... vá, a promessa vaga de voltar a tentar um dia.

Agora vou ser um bocadinho má, e provavelmente muito injusta... Esqueçam já tudo o que ainda vão ler, que hoje acordei com os azeites. 

Ora aqui vamos. O livro passa-se em 1894 ou 95, 40 páginas numa corveta a caminho de Angola. Notei: 

Leonor é apresentada - de forma um pouco direta, com essas palavras exatamente - como uma menina inconformada, até problemática para o paizinho, o coronel (mimada? Não sei, não li o suficiente). Mas também se diz que nunca se envolveu com homens. Então expliquem-me, que não percebo: como é que acontece que aí à página 30, mais linha menos linha,  apenas vinte quatro horas depois de se conhecerem no convés, quase sem tensão sexual ou sedução que se visse, os protagonistas estejam aos beijos num corredor, bigodaça e tudo, com a roupa coladinha ao corpo por causa da chuva? 
Conclusão: ah, chuva, sua malandra, que loucuras causas tu às meninas bem! 

Outra maldade: a época é conturbada e confusa, sim, com o Ultimatum, problemas coloniais e internos, crise económica, as ameaças republicanas, a desigualdade social e entre sexos etc, etc. Talvez seja preciso introduzir uma luzes no texto... mas não gosto de ouvir tudo de uma vez, com Leonor a exibir uma irreverência palavrosa e a mãe a deixar. Não tenho nada contra uma bela contextualização histórica, o que eu não gosto é do tom doutrinal, meia dúzia de páginas depois de beijos e suspiros no escurinho do corredor, e ainda por cima com as mesmas personagens! Não se se o autor procurava equilíbrio entre o romance - muito cedo, muito cedo - e a história, mas para mim teve o efeito oposto. 

Pois, têm razão, é MUITA acidez para tão poucas páginas lidas e é justo que me acusem de não lhe ter dado uma oportunidade para crescer. Como vos digo, provavelmente até foi só o momento errado para este livro. Peço desculpa pelo meu mau humor.  Mais: prometo, quando o MEU livro sair e  lhe for apontado 'este' defeito e 'aquele', dos tantos que deve ter, sendo o primeiro do género que escrevo, hei de agradecer  o feedback  e fazer melhor!! Sempre melhor.  *suspiro* 

Uma notinha: vou finalmente retomar o Dança, Dança, Dança, do Haruki Murakami, um daqueles que também iniciei no momento errado e, embora estivesse a gostar - não há aqui nem paralelo, nem perpendicular - acabei por não ler. Vamos ver se é desta, hem, André (Pensar nos Livros)?

3 comentários:

jen7waters disse...

LOL, não peças desculpa -- se foi o que o livro te fez sentir e escrever aqui no blog: força!
(it's your party and you'll cry if you want to :D)

André Nuno disse...

;)
Acredito que o Haruki consiga tranquilizar as tuas águas.
Comigo é remédio certo.

Devo também dizer que achei a tua opinião relativa ao livro do Tiago Rebelo Pinto não ácida nem má mas precisa e justa.
Quando comecei a ler esse livro recordo-me de ter praguejado e amaldiçoado o dinheiro que gastei a comprar uma coisa tão fraca.
Nunca mais li (e dificilmente lerei) qualquer coisa desse autor.
Desconheço se foi o seu primeiro livro ou o ducentésimo quinto, só sei que o achei coisa de principiante sem jeito para a escrita.
(Agora eu é que fui mauzinho...)
Anyway, hoje estou piegas. Báh!!

Bjs.

p7 disse...

Acho que não há que ter problemas de o livro ter ficado a meio, ou de esmiuçar o porquê, se um livro é um DNF (did not finish), passa-se à frente, outro melhor virá. ;)

Mesmo um post destes a justificar a desistência ajuda os potenciais leitores. Eu, por exemplo, nunca tive muita vontade de ler este autor; e agora ainda tenho menos vontade. xD