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domingo, 19 de fevereiro de 2012

Dança, Dança, Dança - Haruki Murakami

Sinopse
Em Dança, Dança, Dança, Haruki Murakami continua a trajectória da personagem de Em Busca do Carneiro Selvagem, agora à procura do seu antigo amor que desapareceu misteriosamente do Hotel Golfinho. Nessa nova busca, o narrador, um jornalista freelancer, perde-se cada vez mais num universo de realismo fantástico, quase kafkiano, envolvendo-se com personagens verdadeiramente singulares: uma adolescente clarividente, um actor de cinema extravagante, um poeta maneta e prostitutas de luxo. Ambientado em Tóquio, este romance aborda temas como a solidão, o amor e a efemeridade da vida e retrata uma sociedade em constante transformação, altamente consumista e regida por valores como a fama, o dinheiro e o poder. Ao som de músicas dos anos 60, 70 e 80, o narrador e os seus amigos acabam por se envolver num caso de homicídio.
Opnião:
Acabei de ler este livro há poucos minutos e a minha primeira tentação foi deixar rolar um ou dois dias, antes de aventurar-me a dar uma opinião. Depois, se calhar contagiada pela impressão de insubstancialidade da história, achei que se calhar as ideias me desapareceriam nas paredes, como as personagens deste livro. 
"Três call-girls, um actor-demasiado-encantador-e-famoso-para-o-seu-gosto, três artistas, uma adolescente muito bonita e uma recepcionista ligeiramente neurótica.", palavras do autor, são as personagens que se juntam ao narrador na primeira pessoa nesta espécie de realidade rodopiante ou sonho ou alucinação ou, como diria Haruki, o que quer que seja. Não sei o que este livro é, nem tenho a certeza do que penso sobre ele, mas li-o de uma ponta à outra. A sinopse fala de um crime. Aqui é de somenos importância, e tem-na toda. Á sua volta, antes e depois, acontecem muitas coisas... e nada. Morre gente, procura-se gente (um antigo amor e um novo amor, embora se fale pouco de amor), mas não sei se a questão é bem a da morte física. Há outras mortes, outros vazios. 
Há um momento, mais ou menos a meio, em que a narração tende a cair numa certa monotonia, o ram-ram do dia a dia sem grande destino em que o narrador se afunda;  a linguagem torna-se um pouco artificial e repetitiva - pode ser culpa do tradutor mas, ao contrário do que acontece com as obras em língua iglesa, nunca vou saber. 
Quando considerava se realmente estava ou não a gostar e se conseguia continuar (sabendo muito bem que não seria capaz de deixar a meio este 'mistério'), a narração entra numa espiral de... de quê? Loucura? Vida e morte e qualquer coisa entre elas? Não sei. Mas devorei-a até ao fim, com a estranheza que lhe era devida e uma pergunta constante: mas afinal o que é isto? 
Não encontrei uma resposta. Nem kafka a encontraria. 

7 comentários:

Miguel Pestana disse...

Pois, Murakami tem esse poder, de por o leitor num entrave, no incio, as vezes no meio, e ate no fim de um livro seu.

Tenho de ler este.

Paula disse...

"Mas afinal o que é isso?"
:)
Quase todas as obras de Murakami deixaram-me assim :) adoro a escrita!

André Nuno disse...

Carla,
demorei mas cheguei! ;)
A classificação que atribuo à escrita de Murakami é "inquietante".
Gosto muito dos seus livros e da sua escrita pela sensação de estranheza que nos deixa no fim das suas obras.
Uns livros têm mais dessa onda de loucura, escritos na fronteira deste mundo com um outro qualquer que não nos permite perceber o que é real ou não. Outras obras são mais terrenas mas continuam a encher-nos de desassossego. :)
Gostei de todos os livros que li do autor mas "Norweegian Wood, "A Sul da fronteira, a Oeste do Sol" e "Kafka à Beira Mar" foram os que mais... coiso!
Também li o último 1Q84, mas é só a primeira parte e como tal estou á espera do resto!

Pensas repetir a experiência Murakami?

Nuno Chaves disse...

Olá Carla de Haruki Muakami li apenas Sputnik Meu amor e deveras inquitante como diz o André.
Irei voltar a Murakami, quando é que não sei, mas tenho ouvido falar muito bem de Crónica do Pássaro de Corda.

Carla M. Soares disse...

este foi o meu primeiro... sim, creio que hei de ler outros (não sei qual), até porque tenho curiosidade em saber se o registo é parecido ou varia. inquietante... e estranho. uma coisa mesmo estranha é o contraste entre a linguagem muito terra a terra, e algumas afirmações a acontecimentos que nada têm de terreno.
nem sei dizer se gostei pouco, mas ou menos ou muito... só sei que li... li... li até acabar.

Azul Neblina disse...

Devo dizer que não sou grande apreciador de Murakami. Li uns quatro livros dele ("Kafka on the Shore", "Sputnik meu amor", "After Dark" e "What I talk when I talk about running") e tinha alguma curiosidade no "Norwegian Wood". Agrada-me o seu estilo mais ou menos pop e a sua incursão na fímbria da realidade, mas de resto não é um autor que me fascine por aí além. Devo contudo dizer que achei a leitura de "Kafka on the shore" bastante estimulante.

Márcia Balsas disse...

Eu cá sou uma iniciada, só li "Em Busca do Carneiro Selvagem". Quero ler mais, mesmo não sabendo bem dizer o porquê...gostei e pronto...o próximo deve ser o Norwegien Wood que já cá está em casa. Mas quero ler este "Dança, Dança, Dança"!