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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Reescrevedora

Sou uma reescrevedora. 
Escrevo. Reescrevo mais ainda.

Aparece a ideia. Raramente é já uma história, e a maior parte das vezes é apenas uma personagem ou um esboço de um tema. Forma-se um esqueleto, mas vou sempre rearranjando os ossos, e nunca a forma final é a primeira.  O mais habitual é começar e, sobre uma espinha dorsal bem flexivel, deixar as personagens crescer e escolher os seus caminhos, sabendo de onde venho e onde quero chegar mas não por onde hei-de ir. E às vezes, garanto-vos, ganham tanta independência que tenho que controlá-las, como a alunos indisciplinados! Mas elas são sempre donas das minhas histórias e se não as amar, não posso carregá-las comigo, não sei guiá-las nem me apetece ver como terminam.

Depois, enquanto a história avança, estou sempre a reler e a reescrever. 
Por vezes, são grandes troços que reorganizo para fazerem mais sentido para mim, para as personagens, para a história. Se há um pé na realidade, histórica que seja, também tem que respeitar os factos, que vou pesquisando conforme deles necessito - minimamente, não sou nem pretendo ser historiadora, mas apenas certificar-me que a história traz o "cheiro" certo. 
Outras vezes, são as palavras. Acrescento aqui, corto ali, corrijo acolá, passo de um lado para o outro, avivo os diálogos - adoro diálogos, podia escrever páginas e páginas deles - modero o tom e os excessos, faço crescer partes da história e diminuir outras, dinamizo a ação. Enfim, moldo o barro.

Uma narração nunca está, portanto, realmente terminada para mim. Há sempre uma virgula a colocar, uma palavrinha que podia... devia ser outra.
Sou capaz de reescrever um milhão de vezes, com tanto prazer como o que tiro do primeiro esboço. 

E a quem é que isto interessa? Pois. A mim. E o blogue é meu, ora essa!

4 comentários:

Olinda Melo disse...

Excelente técnica!

Apurando, apurando... e, também pode interessar a quem a visita.

:)

Olinda

André Nuno disse...

Interessa-nos, evidentemente.
Para começar a escrever só falta uma coisa me falta. É a mais importante. Aquela que lhe serve de matéria-prima.
Essa coisa magnífica.
A ideia.
Enquanto tiveres ideias, Carla, nunca deixarás de escrever. ;)
E ainda bem.

Olinda P. Gil © disse...

É a reescrita que nos faz escrever. Depois, nós leitores deste blog, queremos notícias do livro! :)

Cristina Torrão disse...

Interessou-me e muito, porque me revi na maior parte dos aspectos que referiste ;) Também eu "sou capaz de reescrever um milhão de vezes, com tanto prazer como o que tiro do primeiro esboço". Já tenho lido outros autores, em que dizem que, a certa altura, já não podem ver o manuscrito à frente. A mim, isso nunca acontece!